Semana sem jogos, um assunto predomina.
Adriano.
Ao que parece, Vanderlei Luxemburgo não o quer mesmo. Não foi à festa que poderia reencontrá-lo. Não parece disposto a dar qualquer brecha para conversa. Sabe que a pressão dos cornelheiros (conselheiros corneteiros) pode torná-lo vulnerável. Como já disse aqui, já foi-se o tempo que o Luxa dava piti e resolvia sair de um clube cuja diretoria o peitava e, no dia seguinte, as propostas boas e de clubes “top” apareciam aos montes.
Mas a diretoria não está disposta também a perder VL, mesmo este já na curva descendente. O mercado de treineiros anda impróspero. Até técnicos medianos têm rejeitado sair de seus empregos. E os disponíveis ou estão desgastados ou só liberam de seus clubes mais adiante.
O que está em jogo nesta balança de forças?
- PRÓS: Gols (?)
- CONTRAS: Difícil reposição de treinador, confirmada a probabilíssima demissão de VL (nomes disponíveis: Adilson Batista, Leão, Caio Júnior, Joel) / Problemas disciplinares e questões extracampo, com possível retorno do clube às páginas policiais / Dificuldades (ainda maiores) de patrocínio (seu comportamento não tem sido, digamos, muito vendável) …
O Flamengo não quer o Adriano. O supertécnico já o disse. Depois, o diretor de futebol confirmou. O assessor da Presidência também. Política que só, e sempre de olho das urnas, a presidenta Patrícia também já o vetou, mesmo que nas entrelinhas – não quer que os eleitores a lembrem como a vereadora que não trouxe o Adriano, o que anularia os efeitos positivos de sua manobra por R10. Quer ser apenas uma co-responsável pelo veto e que o treinador assuma mais a rejeição ao atacante.
A despeito de toda a prepotência, da marra e da decadência, Vanderlei Luxemburgo precisa ganhar esta guerra. Há 16 anos, quando era O TREINADOR, saiu pela porta dos fundos sem terminar o trabalho (combalido pelo gol de barriga, mas não condenado per se). Ninguém garante que o destino de 1995 seria diferente se ele tivesse permanecido, nem ninguém pode afirmar agora que o Flamengo será mais vitorioso com Luxemburgo e sem Adriano.
Por via das dúvidas, que tal mudarmos o meio da história para vermos como vai acabar este filme?
***
Com ou sem Adriano, os jogos finais da Taça Rio e as oitavas-de-final da Copa do Brasil me parecem prazo-limite suficiente para o julgamento final dos atacantes do elenco para o restante da temporada.
- Diego Maurício parece ter superado os problemas familiares e mostra a forma da sub-20. Hoje, é o meu camisa 9. Mas ainda precisa de mais rodagem. Gols.
- Wanderley, recuperado fisicamente, é uma boa opção. Pode entrar, incendiar. Titular? Enquanto não há um nome de consenso, pode brigar. Mas não é o meu preferido.
- Negueba: definitivamente não é atacante. É alternativa para eventuais ausências de Ronaldinho e Thiago Neves.
- Deivid: a mesma sensatez da diretoria ao vetar ao Adriano deveria ser aplicada numa conversa com esse jogador. Proponha-se uma rescisão amigável, a menos danosa possível ao clube.
Com apenas dois atacantes de verdade e em condições, é fato que ao menos um deve ser contratado. Ao fim do prazo-limite, saberemos se este reforço ofensivo seria O camisa 9 ou apenas chegaria para compor o elenco.