A Grande Maçã Rubro-Negra: Coluna de Paulo Lima (Eastchester,NY-EUA)

CRISE PET-BRAZ FREIA “IMPÉRIO DO AMOR” EM BOA HORA

Queria realmente ter razões apenas positivas para abordar na “Grande Maçã Rubro-Negra” desta semana. Mas como Flamengo é Flamengo, tinha de acontecer algo para manchar um pouquinho a grandiosa, épica, histórica e avalassadora vitória no Fla-Flu de domingo.

Vamos por ordem cronológica e por prioridade.

O jogo.  Antes de mais nada, ressalte-se: que queijo suíço a nossa defesa! Não podemos embarcar na onda da virada, do Império do Amor e na fraqueza dos tricoletes e ocultar as falhas da retaguarda rubro-negra! Foram nove gols em quatro partidas. Espera-se mesmo que a fragilidade tenha na ausência de Williams a sua grande explicação.

No mais, eu custo a me lembrar de uma reação tão fantástica no futebol. Podem falar das viradas do Vasco em 2000 na Mercosul e na do Fluzinho contra o Cruzeiro no ano passado. Mas a redenção do time de Andrade deu-se com um jogador a menos. Em um clássico interestadual. Ponto. Não tem ingrediente que supere.

Agora, no frigir dos ovos, não foram só as boas entradas de Vinícius Pacheco e Williams que deram vida ao Flamengo. As saídas de Fernando e de Petkovic contribuiram sobremaneira para a vitória. A inoperância de ambos foi tamanha que, nos dois casos, a utilidade da dupla do time deve ser questionada, repensada.

Adriano e Love? Absolutos, devastadores. E ponto.

O entrevero. Essa crisezinha entre Marcos Braz e Pet acabou por ofuscar totalmente as glórias do Flamengo pós-Fla-Flu. Acabou que, entre mortos e feridos, salvaram-se todos. Ninguém foi demitido, ninguém teve contrato rescindido, tudo como antes no Quartel de Abrantes. O dirigente reconsiderou a rescisão, Pet pediu desculpas, fará aquele trabalhozinho básico de recuperação física (que só durará um jogo, duvido que não será ao menos relacionado no fim de semana) e pronto. 

Espero que o episódio sirva de lição para que a nova diretoria planeje um sistema de comunicação interna, uma espécie de “normas de conduta” entre os profissionais de todos os níveis (de altos dirigentes ao massagista) sobre como se relacionar com o público externo. É algo básico.

No mais, se devemos enxergar um lado positivo neste caso, eis que penso em um: a crise com Pet serviu para abrandar a empolgação com esse “‘Império do Amor”. As manchetes de terça-feira trariam, em uníssono, a exaltação à dupla – e, diga-se, não me recordo de ver uma parceria ofensiva de renome engrenar tanto em tão pouco tempo. Mas isso não aconteceu, o que freiou na hora certa o ímpeto de Adriano e Vágner Love, que em entrevistas já cavam vaga na Copa do Mundo. Espera aí – estamos falando do Carioca, de 2 adversários domésticos e um clássico em que o rival dominou a metade do tempo e entregou de bandeja o outro.

Repitam a dose na primeira fase da Libertadores e aí sim vamos começar a campanha.

(não consigo evitar minhas eternas exigências de torcedor…)

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