A Grande Maçã Rubro-Negra – Coluna de Paulo Lima (Eastchester,NY-EUA)
OUSE OUTRA VEZ, ANDRADE!
Após um pequeno recesso aqui no blog, vejo que as notícias no mundo Flamengo continuam as mesmas: Vágner Love, problemas físicos de jogadores na pré-temporada, patrocínio ainda não concretizado …
A escassez de novidades traz angústia, é claro. Afinal, causa calafrios vermos que, na estreia do Estadual, teremos Léo Medeiros na lateral-esquerda e Vinícius Pacheco provavelmente na armação, no lugar de Pet. E, quem sabe, Gil ao lado de Mezenga, já que nem o contestado Obina, pelos sopapos que trocou no Palmeiras, é presença garantida.
Diante de um panorama sombrio, resta a Andrade tomar uma atitude ousada – ao menos para os padrões de hoje: promover, em massa, a entrada dos ex-juniores no time. Sim, ousada porque as categorias de base deixaram de ser, há muito tempo, uma prioridade para o Flamengo. Craque o Flamengo não faz em casa. A julgar pelos atletas que foram hexacampeões: dos titulares, apenas Adriano foi formado na Gávea – e num safra bem distante da atual.
Andrade precisa ousar da mesma forma que o fez ao trocar o esquema de três zagueiros, algo que parecia enraizado no clube, técnico após técnico. O treinador acabou com a “ditadura dos laterais”, e há quem aponte que foi este o passo decisivo para nosso sexto brasileiro. Mudamos a forma de jogar, e até que os adversários a entendessem, fomos engolindo um a um. Saímos da mesmice, do marasmo e da previsibilidade. Ponto para o Tromba.
Agora, a nova ousadia de Andrade deve residir justamente na escalação de nossos jovens. Não há mais desculpas. São franzinos? Sim, muitos deles, mas nada que um trabalho decente de fortalecimento muscular, aquele que o clube há muito se vangloriava ter, não resolva. E acredito, sim, em biótipo – está aí o Bruno Mezenga que não deixa mentir.
Não defendo o aproveitamento somente dos ex-juniores já incorporados aos profissionais, como Erick Flores, Jorbison, Galhardo, Fabrício e outros. Acho, sim que os garotos da Copa SP devem ser observados com mais carinho. Escrevo o texto antes do resultado da partida contra o CFZ-DF, pela Copa São Paulo, e essa minha opinião independe do resultado deste confronto.
Será que Eliabe não faria frente a Vinícius Pacheco ou Gil? E o lateral Anderson, não poderia ser opção melhor do que Léo Medeiros na ala esquerda? E no ataque, problema que parece ser o principal, seria muito doloroso testar o Dudu?
Enfim, cito aqui três dos garotos que me chamaram a atenção, mas fato é que esta seleção deve ser feita pela comissão técnica rubro-negra, em conjunto com a coordenação da base. Patrícia Amorim enfatizou em sua posse que valorizaria a prata-da-casa. Diante de toda a dificuldade de reposição e haja vista as opções que não parecem animadoras, seria muito interessante vê-los em ação no Estadual, já que não deve ser (ou não deveria ser) a prioridade para o primeiro semestre.
Se um ou dois deles sobressaírem (lembrando que o último jogador da base que conseguiu ser efetivado como titular foi Renato Augusto, há quase 4 anos!) e estiverem prontos para jogar a Libertadores, a ousadia já terá valido a pena.