A Grande Maçã Rubro-Negra: Coluna do Paulo Lima (New York-EUA)

REFLEXÕES ALÉM DO HEXA – SE VIER OU SE NÃO VIER

Como tenho defendido aqui no blog, o resultado ante o Goiás nada mais fez do que nos voltar à dura realidade.

Está certo que Andrade encontrou uma forma de jogar interessante. Deu liga ao sistema defensivo, contando com o suporte de Álvaro e Maldonado, valorizando peças de melhor saída de bola e marcação (Williams) e, ao menos tentando, fazer os alas voltarem a ter boas atuações como laterais. Léo Moura consegue chegar perto. Juan ainda está longe.

Fato é que, de nosso tão badalado trio ofensivo, ao menos duas peças (Zé Roberto e Petkovic) têm rendido num improvável nível de excelência. Finito. E perto do fim.

Quanto a Pet – o gringo tem superado as naturais fronteiras físicas da idade. Mas o fôlego, há alguns jogos, parece faltar e não mais voltar – tanto é que seu brilho recente ocorreu mais por bolas paradas e lançamentos de média-longa distância do que propriamente de arrancadas e jogadas de alto impacto (como no gol sobre o Goiás, no primeiro turno).

A imponderabilidade de Zé Roberto reside justamente em sua regularidade nos jogos. O normal é que seja inconstante. Não poderíamos achar que exibisse bom futebol até o fim do campeonato. Sob pressão, ele entra em ruínas.

Vão me chamar de derrotista e pessimista. Mas faço o alerta desde já: nem Pet nem ZR são nomes para a Libertadores. Estou pensando além do título brasileiro. Sim, quero e acredito no hexa, mas quero mesmo, muito mesmo, é ser bicampeão da Libertadores da América – ainda que isso sacrifique o título nacional.

Para que isto aconteça, é necessário entender que estes dois jogadores não podem estar no futuro do Flamengo em 2010. Pelo menos, não como prioridade, não como titulares absolutos. Se formos campeões, serão elevados a reis e tidos como armas fundamentais para a competição continental. Caso contrário, tudo deverá (ou, no mínimo, poderá) ser repensado.

O ideal é que, em janeiro, o novo governante do clube chegue à mesma conclusão que eu: arrancamos no Brasileirão por vários fatores – da fragilidade e incapacidade dos adversários à mística do Manto e à força da Magnética. Mas que fique em segundo plano valorizar a qualidade de nossos principais jogadores. Sim, estes foram importantes e protagonizaram jogos e momentos sublimes (como as vitórias sobre Palmeiras e Atlético, fora de casa). Mas que entendamos não serem a molas-mestras para o time na LA.

Andrade, por sua vez, deve permanecer. Montar um time, avaliar e reavaliar a permanência dos medalhões (LM, Juan, Pet, ZR), acertar a permanência de quem se destacou (Everton, Williams, Airton, Alvaro e Maldonado), promover e efetivar os garotos da base já no Estadual e contratar, com competência, para a temporada.

Adriano? Que se resolva a situação no início do ano. Para deixá-lo sair para a Seleção em maio e não mais voltar, é melhor começar 2010 sem ele.

Penta foi ótimo. Pena que não nos fortaleceu

Que o hexa venha. Mas que não nos lamentemos muito se não o tivermos. Vamos avaliar profundamente e pensar se nossa consistência é perene. Em 92, nosso escrete pentacampeão foi endeusado, sob a égide do DCF. Levamos um provável ferro na Libertadores de 93 e desde então, após rifarem uma geração inteira de pratas-da-casa, ficamos órfãos de grandes conquistas.

O penta foi ótimo. Pena que não fortaleceu o clube. Pena que não foi aproveitado como arma para reerguer o CRF à hegemonia nacional e continental, como nos anos 80. Ainda hoje, sem CT decente, estádio, com dívidas acachapantes, política claudicante na base, como pensar que será diferente desta vez?

O importante é que chegamos, marcamos presença na ponta da tabela. Vamos garantir o terceiro lugar, com vaga direta para a competição continental. Temos de ter a certeza de que ficou de ótimo tamanho, pelo que fizemos no campeonato, pelos jogadores que temos (e seus reais valores) e pela estrutura que temos fora de campo para suportar, em alto nível, um campeonato de pontos corridos tão acirrado.

Se vier o hexa, que saibamos gerir o bonus – e ônus – que o acompanhará.

2 Respostas para “A Grande Maçã Rubro-Negra: Coluna do Paulo Lima (New York-EUA)”

  1. Boa, Paulo. concordo com algumas coisas, e nao tanto com outras. Acho que o ZR e o Pet serao pecas importantes ano que vem SIM, mas nao da pra depender tanto deles. Precisamos de atletas mais jovens em varias posicoes, inclusive nas laterais. Salvo engano, acho que o proprio Andrade ja disse que nossa safra atual de jovens talentos nao esta assim tao boa, e pra voltarmos a ser a famosa fabrica de craques, precisamos de um CT URGENTISSIMAMENTE!!!

    Realmente nao da pra achar que ta de otimo tamanho nosso desempenho esse ano, com ou sem hexa, e relaxar pra Libertadores ano que vem. Temos que ter planejamento e racionalidade pra compor um elenco competitivo, e nao sair renovando com todo mundo como uma especie de “premio” pela campanha desse ano.

  2. [...] que postei ao longo do ano passado, mesmo a poucas rodadas do fim do campeonato. Como aqui, aqui e [...]

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