Arquivo do mês: novembro 2009

CORINTHIANS 0 X 2 FLAMENGO: Comentário, melhores momentos e análises dos blogueiros

Estamos a 90 minutos de gritar “é campeão”. Será um título merecido, histórico, emblemático. Soa muito injusto não considerar a conquista do Flamengo, caso ela ocorra, como legítima e justa. Estamos na frente, temos mais pontos, mais vitórias. Vencemos ao menos uma vez todos os adversários diretos (São Paulo, Internacional, Palmeiras, Atlético-MG – sendo dois deles fora de casa).

Arbitragem? Fomos prejudicados e beneficiados como todos os clubes ao longo do campeonato. Fizemos a nossa parte e não temos culpa de São Paulo e Palmeiras dependerem de seus rivais para alcançarem seus objetivos. Da mesma forma o Internacional em relação ao Grêmio. Faz parte do jogo e da vida. Se entregarem os pontos – algo que dentro de campo é bem possível que não aconteça – não será culpa nossa. Definitivamente, não.

Assim como na semana passada, o Mundo Flamengo será organizado por colunas diárias, escritas por rubro-negros ao redor do mundo. Veja o nosso calendário de posts:

TERÇA-FEIRA: “A Grande Maçã Rubro-Negra” – Coluna do Paulo Lima (Eastchester, NY – EUA)

QUARTA-FEIRA: “Faroeste Rubro-Negro na Austrália“: Coluna do Rodrigo Altaf (Perth-Austrália)

QUINTA-FEIRA: “Um Rubro-Negro na Anã Paraguaia“: Coluna do Lauro Melo (Adelaide-Austrália)

SEXTA-FEIRA: “Um Rubro-Negro na Terrinha, ora pois pois“: Coluna do Thiago Gonçalves (Braga-Portugal)

Ao longo da semana, publicaremos textos de articulistas convidados e de leitores, como o Arnaldo Buzeck, do Brooklyn-NY (EUA). Mande-nos o seu texto e participe também desta resenha global: mundoflamengo.adm@gmail.com . Em breve, mais novidades por aqui.

Nesta segunda, deixamos para vocês os melhores momentos e análise do jogão sob a ótica de três blogueiros, selecionados por nossa equipe. Um abraço, SRN e prudência até o último minutos.

 

 

ANDRÉ MONNERAT - SobreFlamengo

Ainda não acabou – mas está perto, muito perto. O São Paulo, aquele time “acostumado a decidir”, voltou a perder. E assim o Flamengo assume pela primeira vez, a uma rodada do final, a liderança do campeonato – tendo supreendentemente como maior adversário no momento o Internacional. Bastou que, dessa vez, fizesse a sua parte, vencendo o Corinthians. E agora teremos pela frente uma longa semana de ansiedade. Quem é a favor de antecipar esse jogo pra quarta-feira, levanta a mão!

Foi uma grande atuação? Não, não foi. Mas a maior diferença para a partida contra o Goiás foi a maneira como o Flamengo já entrou ligado no jogo, logo de início. E com o Corinthians mostrando fragilidade na defesa, especialmente pela sua lateral direita, as chances começaram a aparecer – uma cabeçada na trave de Álvaro, outras com Willians e Mezenga, até finalmente sair o primeiro gol. E aconteceu num lançamento longo, bonito, daqueles que a gente acha que só um Pet é capaz de fazer – mas que saiu dos pés, vejam vocês, de Toró.

E a partir daí, a decisão do time foi cozinhar o jogo. Nos três quartos de partida restantes, o Flamengo criou pouco, mas também manteve o jogo razoavelmente sob controle e as maiores emoções vieram da “bolinha pintando na tela da Globo”, com a tensão pelo que cada uma poderia significar. No fim do primeiro tempo, houve um momento de pane, em que Defederico poderia ter empatado – Angelim salvou em cima da linha o chute fraco para o gol vazio. Ao longo da partida, foi o argentino quem conseguiu criar alguma preocupação para a defesa rubro-negra. Já para o final, após a expulsão de Chicão, o Flamengo até voltou a ameaçar em contra-ataques; quando saiu o segundo gol, de pênalti, o time já ensaiava mesmo ampliar o placar.

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No geral, foi uma atuação tranquila na defesa, com a zaga segura, os laterais fazendo bem a marcação e uma bela atuação de Aírton. No ataque, o time já foi mais tímido. Sem Adriano, o que o time realmente perdeu foi a opção das bolas longas, aquelas pedradas que ninguém mais consegue matar, mas o Imperador dá seu jeito. Assim, procurou-se colocar mais a bola no chão, o que é bom – mas só funcionou bem mesmo no início da partida. Pet participou até bastante do jogo, mas não conseguiu criar grandes lances; Mezenga teve uma chance no primeiro tempo e, depois disso, mal foi notado em campo; Willians foi até bem atrás, mas muito mal na frente. Zé Roberto foi o mais efetivo do ataque – apesar de se colocar em impedimento com uma frequência impressionante.

Mas a verdade é que é difícil ficar fazendo grandes avaliações técnicas ou táticas neste momento. Foi o bastante pra vencer, foi mais do que os adversários diretos têm feito – e foi o que colocou estes jogadores do Flamengo à beira de fazer história. Que façam valer a pena o perrengue que quase 80 mil pessoas passaram nas filas para conseguirem seus ingressos, antes mesmo de saber o que esta rodada lhes reservaria.

Nada está ganho ainda. Mas tá quase lá!

LÉDIO CARMONA – GE.COM

(…) Após a rodada das rodadas, a tabela virou ao contrário. O primeiro (São Paulo) virou quarto. O terceiro (Inter) agora é segundo. O segundo (Flamengo) agora é líder. E o quarto (Palmeiras) agora é terceiro. Para resumir a questão: foi o fim de semana do Flamengo, a uma vitória, em casa, do título brasileiro. E, mesmo no Brasileirão mais rocambolesco de todos os tempos, acho que não haverá mais vacilo. Com 80 mil pagantes a seu favor, os rubro-negros não perderão essa chance. Para mim, o Fla será campeão no próximo domingo. Independemente do estado de espírito com o qual o Grêmio entrará em campo.

É o campeonato mais bem-sucedido dos últimos tempos. E o mais lacrimogênico. Sempre tem uma lenga-lenga, um resmungo, um chororô. O Flamengo jogou melhor do que o Corinthians. Nada do outro mundo, nada espantoso, mas eficiente para ganhar de um time que foi marcado pela desmotivação durante todo Brasileirão. Enquanto isso, queiram ou não, mesmo que meu comentário desagrade aqueles impregnados por um bairrismo doentio, o Flamengo foi, sim, o time mais empolgante nessa reta final, após uma primeira parte de campeonato irregular e com pouco glamour.

Pode tropeçar diante do Grêmio? Claro que pode, mas eu duvido. Me permito esse direito. Da mesma maneira que achava que o Fla ficaria no G4, hoje não vejo nenhum fundamento lógico nos precavidos que temem pelo próximo domingo. Até porque há um certo ar de misticismo no ar, se compararmos hoje com 1992. Andrade é o Carlinhos; Petkovic é o Júnior; Maldonado, mesmo fora, lembra Uidemar; e Adriano é muito melhor do que Gaúcho. Enfim, às 17hh29 do domingo que passou, Vítor empatou para o Goiás e Zé Roberto marcou o primeiro gol do Flamengo. Foi nesse exato momento que a história do Brasileirão-2009 mudou. E praticamente se decidiu. Em vermelho e preto.

E agora? Quem pode atropelar? O Inter vem de três viórias seguidas e tem um adversário desesperado em pleno Beira-Rio: respirando por aparelhos, o Santo André cruza o caminho dos colorados. Sim. Mas dois pontos a serem considerados. O primeiro: não será tão fácil, assim como foi complicadíssimo para o time de Mario Sergio virar em cima do Sport, lanterna do Campeonato, em plena Ilha do Retiro. Mais uma falta bem cobrada por Andrezinho resolveu a pendenga. E, de mais a mais, o adversário do Fla será o Grêmio. Pois então…

Outro que caça o Flamengo é o Palmeiras. Que venceu o Atlético Mineiro, já sem chances de G4 após a quarta derrota seguida. Jogou bem hoje, no Palestra Itália. Diego Souza fez gol de placa. Mas a questão é: além de precisar secar os rubro-negros, o Palmeiras tem que ganhar do Botafogo, desesperado e sem poder perder, em pleno Engenhão. Uma segunda decisão no Rio, a menos de 20km do Maracanã. Quem tem tarefa mais fácil? Fla ou Palmeiras?

E o São Paulo, que enfrenta o Sport, no Morumbi? Mas será que o destino ainda aceita quebrar o galho dos tricolores paulistas após eles terem dito a chance em dois domingos seguidos e terem perdidos as duas partidas, mesmo após o tropelo do Fla contra o Goiás? Creio que não. O próprio discurso de Ricardo Gomes no vestiário do Serra Dourada era de resignação com uma provável classificação para a Libertadores (…)

BENJAMIN BACK - LANCENET!

O São Paulo ontem dependendo da combinação de resultados poderia até ter sido campeão brasileiro, mas incrivelmente caiu para a quarta posição.

O Internacional perdia para o rebaixado Sport, virou no 2º tempo e assumiu a vice-liderança, que estava nas mãos dos Palmeiras que atropelou o Galo no Palestra Itália com um dos gols mais bonitos que vi na vida, foi simplesmente impressionante a bola que acertou o Diego Souza!

Ou seja, o Brasileirão 2009 é a edição mais emocionante e mais surpreendente que tivemos desde o inicio da disputa por pontos corridos em 2003.

E o pior, é que mesmo o Flamengo dependendo só dele, é impossível afirmarmos com 100% de convicção que o campeonato já está decidido.

Sim, acredito que dificilmente o Mengão deixará escapar essa grande oportunidade, mas para isso, basta ter uma semana sem oba-oba, sem festa antecipada, sem falar que o chopp já está pronto, ou melhor, é preciso que todos tenham a calma, a tranqüilidade e principalmente a sobriedade do Andrade que o título virá.

O Grêmio, adversário do Fla na última rodada, não representa qualquer tipo de perigo, repito: só é preciso controlar os ânimos e manter os pés no chão, que domingo que vem o Maraca verá uma festa daquelas inesquecíveis da torcida rubro-negra!

E, diga-se de passagem, a bola que está jogando o time do Flamengo é brincadeira!

No entanto, não podemos bancar mais nada, pois o futebol é imprevisível e esse Brasileirão é uma amostra de que tudo pode acontecer.

O Tricolor terá uma partida fácil contra o rebaixado Sport.

O Inter também enfrentará em casa uma equipe rebaixada: o Santo André.

O próprio Flamengo jogará contra um Grêmio morto no campeonato, por fim, apenas o Palmeiras terá uma parada duríssima pela frente, que é o Botafogo precisando vencer a qualquer jeito para não cair novamente para a Série B.

Bem, cada um que faça as suas apostas, e como palpite é de graça e todo mundo pode dar o seu, para mim o Mengão deverá ser o campeão brasileiro de 2009!  

Corinthians x Flamengo: Transmissão

O jogo Corinthians x Flamengo de hoje será transmitido ao vivo pela Globo Internacional a partir das 17:00 (Horário de Brasília). Para saber os países que têm transmissão da Globo Internacional, clique aqui.

Para os amigos rubro-negros que não possuem acesso à Globo Internacional e querem assistir ao jogo pela Internet, o Mundo Flamengo separou uma lista de canais online que irão transmitir o jogo:

Nota: O Mundo Flamengo não se responsabiliza por mudanças na grade de programação dos canais citados.

Nosso Mundo é Flamengo – Novo Torcedor

Por Max Amaral – de Denver, CO  – ESTADOS UNIDOS*

Eu nunca fui um torcedor fanático.

Adolescente, acompanhava o timaço de Zico, Adílio e cia com alegria e orgulho mas, depois disso, confesso que fiquei vendo o time meio que “de longe”.

Não é que meu amor tenha diminuído. É que o resto da vida estava cobrando demais e, mesmo tendo sempre um Manto Sagrado no guarda roupas, não era mais um torcedor que sabia escalação de cor, ou que procurava entender o que andava acontecendo com o time ou com o clube.

Surpreendentemente, isso mudou quando eu me mudei do Brasil. Sei lá se para compensar a falta dos amigos e de gente falando português o tempo todo, passei a acompanhar o time de uma maneira mais ostensiva, escarafunchando a internet atrás de notícias e, depois que descobri os blogs da FlamengoNet e do MundoFlamengo, virou quase um vício.

Então, estamos falando de pouco tempo: o Brasileirão de 2008 – com toda a frustração de ver o time “comandado” (sim, com aspas mesmo) por Caio Jr. entregar um título que estava em nossas mãos e a temporada 2009, com a alegria do Penta-Tri, a decepção do primeiro turno do Brasileirão e a entusiasmante arrancada do segundo turno.

E o que essa arrancada fez foi me deixar nervoso, pilhado demais, fora de mim. O jogo contra o Goiás, semana passada, foi o ápice: cheguei a sonhar com o time perdendo por 2 x 0, Angelim saindo de campo com a perna quebrada, toda a decepção do mundo. Eu fiquei insuportável durante a semana inteira, não conseguia me concentrar em nada e, na hora do jogo, estava nervosíssimo. Minha mulher, inteligente, desapareceu até pelo menos umas duas horas depois do frustrante empate. Eu estava puto.

O quadro só mudou quando eu falei com meu filhote, que mora em Belo Horizonte. Foi aniversário dele semana passada e eu mandei um Manto novo e o livro do Ziraldo (O Mais Querido do Brasil em Quadrinhos, Ed. Globo, dica do Paulo Lima).

E me emocionei com meu garoto, do alto dos seus 7 anos de idade, me contando todo excitado como o Zico batia faltas, ou como sei lá quem fez um gol de cabeça e foi importante. E ele declarou que, quando crescer, vai ser jogador de futebol e vai jogar no Flamengo, e até me pediu para largar a minha profissão para eu jogar com ele.

E eu, com uma lágrima besta correndo, só pude dizer que iria ser lindo vê-lo entrar no Maracanã com a camisa rubro-negra, a torcida gritando o nome dele. E me dei conta, de repente, de algo absurdamente óbvio mas que a gente se esquece de vez em quando: de como o Flamengo é grande! Como é maior que qualquer desses campeonatos, o qualquer desses jogadores.

Então, ainda estou na torcida. Ainda vou secar o SPFW, ainda vou torcer para vencermos o Curíntia e, depois, o Grêmio. Vou ficar maluco com o Hexa. Mas não vou morrer se não acontecer nesse ano, nem nos próximos. Não vou perder o sono por causa da falta de foco do Adriano, da complacência da diretoria, da falta de estrutura que teima em nos fazer sofrer mais do que merecíamos e precisávamos. Vou relaxar e apenas deixar meu amor pelo Mengão falar mais alto, jogo a jogo, ano a ano. Se não der, não deu, vou continuar tão rubro-negro quanto sempre, talvez até mais.

(E, se meu filhote não virar um jogador profissional, também não tem importância. Eu já prometi a mim mesmo que, qualquer dia desses, vou entrar no Maracanã de mãos dadas com ele, e vamos vibrar muito vendo juntos um jogo do Mengão. Acho que isso é o mais importante.)

Max Amaral mora nos Estados Unidos, e tenta explicar aos americanos que gostam de beisebol e futebol americano que divertido mesmo é o soccer. Este texto foi originalmente publicado no Blog da FlamengoNet (http://flamengonet.blogspot.com/).

ESPECIAL PARA O MUNDO FLAMENGO: Artigo de Arnaldo Buzack (Brooklyn, NY-EUA)

O COTURNO E O SAPATINHO

É, pessoal. Parece que já lá se vão muitos anos, mas faz somente quatro meses que Cuca e Kleber Leite deixaram a Gávea. O time, naquele momento delicado, flertava com a zona de rebaixamento e muita gente achava que uma vaga na Sul-Americana já estaria de bom tamanho, mais um ano perdido. Só que o improvável aconteceu: o grupo fechou com o Andrade (efetivado mais por falta de verba e alternativas no mercado do que qualquer outra coisa), e não perdeu mais. E o que poderia ter sido uma grave crise acabou por tornar-se o divisor de águas.

E na humildade e com um futebol bonito, chegamos a outro divisor de águas, o jogo de domingo passado. Hora de finalmente tirar o tal do sapatinho, calçar o coturno de conquistador, passar por cima de quem fosse e assumir a tão esperada e merecida liderança. De “separar os meninos dos homens”, como dizem os americanos. Bem, aos nossos meninos não faltou raça. Pelo contrário, suaram a camisa, correram os noventa minutos e tentaram até o fim. O que faltou? Faltou acreditar em si, faltou aquela certeza inabalável do verdadeiro campeão, aquele capaz da vitória impossível. Não que o Goiás fosse um adversário imbatível, muito pelo contrário. Trata-se de um bom time que é pago para fazer o que fez. Faltou lucidez ao Flamengo. A serenidade proveniente da fé. Vontade de ser feliz. Infelizmente, jogadores tarimbados como Pet e Zé Roberto sucumbiram à pressão da obrigação da vitória e não foram capazes de repetir os lampejos de gênio de que o time ainda depende, infelizmente, e que poderiam ter mudado o curso da partida.

Ficou aquele gosto amargo na Nação de fim de mais um sonho. A possibilidade do título ainda existe, mais remota certamente, mas o campeonato ainda não acabou e a sorte pode jogá-lo em nosso colo novamente. Desde que façamos a nossa parte. E isso irá depender de como ficou o psicológico da equipe. Até que ponto o time está abalado? E mesmo conquistado o título, infelizmente perdemos uma grande chance de fazer história (ou pelo menos de vê-la sendo feita no gramado) quando o juiz deu o apito final. O time nos últimos quatro meses deu uma bela arrancada em seu ginete, matou o dragão e salvou a princesa, mas quando esta cerrou os olhos e entreabriu os lábios para o beijo que iria selar o amor, deu um ataque de timidez e o time travou geral. Uma pena. Agora é pensar no Sport Club Corinthians Paulista. Só a vitória interessa.

Vambora Mengão!

Um Rubro-Negro na Terrinha, ora pois pois: Coluna do Thiago Gonçalves (Braga-Portugal)

O ESTRANGEIRO E O MANTO

Depois de um período de ausência do blog por compromissos particulares, cá estou eu de volta à escrita e pena que numa semana sem grande coisa pra escrever. Não quero estar a lembrar tristezas passadas porque na minha cabeça a ordem é seguir em frente e continuar com a FÉ que sempre nos acompanha, afinal de conta setamos mais perto da liderança do que na última sexta-feira.

Hoje resolvi falar sobre a alegria de encontrar um Rubro-Negro do outro lado do Oceano e a emoção que isso desperta num emigrante. Quando estamos no Brasil, vemos o Manto Sagrado todos os dias quer seja na rua, no ônibus ou mesmo na vitrine de uma loja. A realidade no exterior é outra: vemos o Manto em formato digital pela Internet, mas a nível físico é muito mais raro.

Cada vez que vejo um Manto Sagrado cá em Portugal, meu coração transborda de orgulho. Há duas ou três semanas atrás eu vi um garoto com seus 12 ou 13 anos a envergar a camisa de 96, logo que entrou o BR verde e amarelo na frente. Não sei se seria um brasileiro, não sei se teria sido um presente de um tio que veio do Brasil de férias, não sei se seria apenas peça de uma coleção de camisas de clubes de futebol, o que eu sei é que senti a alegria de ver o Manto mesmo estando há 9 horas do Brasil de distância.

E essa mesma sensação eu senti quando meu irmão contou-me que passou um dia em Barcelona e numa simples visita a um dos pontos turísticos viu dois Rubro-Negros distintos devidamente trajados. Passou perto de um e cumprimentou com o tradicional “MEEEENGOOOO” e depois de alguns minutos de conversa o rubro-negro trajado conta todo feliz que havia outro por ali com o Manto também. Ou seja, essa alegria que vos conto não é um sentimento só meu, é um sentimento comum a qualquer Rubro-Negro que vê o Manto estando longe do Brasil.

Até sexta-feira que vem e se Deus quiser, e Ele há de querer, que estejamos na liderança do Brasileirão. Tenham FÉ. Eu ACREDITO!!!!!!!

Um Rubro-Negro na Anã Paraguaia: Coluna do Lauro Melo (Adelaide-Austrália)

EU ACREDITO!

Irmãos Flamenguistas,

Bom, vamos lá. Acho que estamos todos com dificuldade de achar o que escrever essa semana. Claro que é sempre melhor escrever num bom momento. Portanto resolvi começar mostrando o que escrevi por e-mail pra um amigo sãopaulino ainda no começo da semana. Eu não tava pensando em textos oficiais aqui no blog então acho que fica mais espontâneo. Só pra contextualizar, ele me escreveu dizendo que já esperava uma não vitória do Mengão sobre o Goiás por causa do oba-oba de parte da imprensa e de muitos torcedores. A minha resposta sobre esse ponto:

“Cara, o problema do Flamengo é sempre o mesmo: vende jornal! É o lado ruim de ter a maior torcida do mundo! Ironicamente, isso nos afeta quando estamos mal e até quando estamos bem. Qualquer discussãozinha entre jogadores num treino normal (coisa que acontece em qualquer clube) é manchete de jornal (e isso é só um exemplo – cuja chamada era “ambiente instável”). Quando conseguimos alguma chance real, fazem todo esse estardalhaço, como o da semana passada. Nem quando outro time consegue alguns títulos seguidos, consegue tanta projeção na mídia…

Só tenho uma ressalva ao que tu falou. Acho que o torcedor tem o direito de ser otimista e estar feliz com o seu time. Isso não é oba-oba. Sempre foi assim. Talvez o que  aconteça hoje é que o torcedor tenha mais voz com o advento da internet. Antes, o que se dizia no boteco, agora se diz na internet. Não fizemos camisas comemorativas, só estávamos satisfeitos com o momento do time. Não acho que torcedor deva esperar ser campeão pra estar feliz com o time. Isso é muito fácil e coisa de torcida pequena e fria. Não tô falando de comemorar o título, mas tô falando de ser uma torcida calorosa, otimista e pra cima. Os jogadores são outra história! Se a imprensa faz disso um carnaval, os jogadores que têm obrigação profissional de saber lidar com a situação. Não vivem dizendo que são profissionais (na hora de mudar de time, assinar contratos milionários etc.)? Então, sejam no momento que a torcida tá fazendo a sua festa!

Pra finalizar, há um último ponto. Mesmo se nada tivesse acontecido, o Goiás de qualquer forma jogaria a vida naquele jogo! Não adianta, não há comparação. A visibilidade do jogo é muito maior contra o Flamengo num Maraca lotado (é o outro preço que se paga por ser o Maior!). Independente do assunto de “malas” etc., tô cada vez mais convencido de que o mata-mata é a melhor fórmula. Acho muito estranho nessa reta final haver jogos entre times com objetivos tão diferentes. No mata-mata, é cada um tentando passar por cima do seu adversário direto. Assim como tá, um time que tá no meio da tabela pode ter diferentes posturas diante de adversários diferentes. Sei lá, acho isso estranho. Um abraço”

Todavia, não crucifiquemos o Bruno. Ele teve um momento infeliz ao dizer que às vezes a torcida atrapalha um pouco e está claro que a imprensa, mais uma vez, distorceu e aumentou. Não acho que seja motivo pra desestabilizar a relação torcida-time. Como já disse, acho que foi só mais um sensacionalismo da imprensa. Aliás, a chamada na primeira página do site da globo.com (não só esporte) era “Bruno culpa torcida e vitória do Bota pela ansiedade do Flamengo”. Não foi bem isso o que ele falou. Ele não culpou a torcida! Mais um exemplo que a imprensa explora a grandeza do Flamengo pra vender jornal. A propósito, a imprensa por acaso pergunta pro Bruno (ou qualquer outro jogador do Mengão) se a própria imprensa atrapalha o desempenho do time?

Continuamos juntos! O mestre Andrade já começou a detonar mais esse veneno contra o Mais Querido. O Adriano também parece estar empenhado em manter o astral elevado. Até o fanfarrão do Marcio Braga teve uma idéia boa pra elevar o moral dos jogadrores – trazer alguns ídolos do passado pra falar com eles pode ser uma boa nesse momento decisivo. Que bom que a nossa história é tão rica a ponto de termos tantos craques sempre dispostos a ajudar! Tenho certeza que eles acreditam. Eles ganharam tudo pra gente, mas nunca foi fácil! Quem sou eu pra ir contra essas lendas vivas? Eu também acredito!

Saudações Rubro-Negras,

Lauro Melo

Faroeste Rubro-Negro na Australia: Coluna do Rodrigo Altaf (Perth-Austrália)

LEVANTA, SACODE A POEIRA…

Saudacoes rubro-negras a todos. Que ressaca, hein, companheiros? Como foi dificil arrumar forcas pra escrever meu texto essa semana.

Claro que fiquei “megaputo” com o empate de domingo. Ainda mais com o fuso horário de onde estou: tive que acordar às 3 da manhã pra secar a bambizada e depois torcer pro Mengão contra o Goiás. Madrugada dos horrores, certo? Nem tanto…

Comentando nosa situacao atual com o Lauro, companheiro aqui do blog, ele mencionou um comentario no blog do Arthur Muhlemberg do Globo, que disse o seguinte: imaginem se os jogos fossem no mesmo horário, ou o do Sao Paulo depois do Fla. Teríamos ficado até aliviados e satisfeitos com nosso empate, não? No final das contas, encurtamos a distância pro líder, e ainda podemos assumir a liderança na próxima rodada, essa sim, a última chance, já que os bambis não devem perder pontos pro Sport na última rodada. Logico que nao ha muito pra comemorar, mas temos que nos agarrar no que houve de positive desse jogo.

Vi alguns jornalistas questionando “mas afinal, o que deu errado pro Flamengo no domingo?”. Dessa vez não houve oba-oba, faltas a treinos, festa antecipada, menosprezo ao adversário ou corpo mole em campo. A resposta, acredito eu, tenha sido ansiedade pura dos caras em campo pra finalmente assumirem a liderança. O tal do mosaico, o recorde de público, e o fato de todo mundo já saber o resultado do jogo do SP colocaram mais lenha na fogueira. Podem conferir no videotape, vejam se o Fla não entrou nervosíssimo em campo, desde o primeiro minuto.

Ainda acredito no título, e espero que joguemos menos pressionados daqui pra frente. Vi também muita gente falando que o Andrade mexeu mal no time. Não achei que o Kléberson entrou mal, mas o Pet talvez pudesse ter saído mais cedo pra dar lugar ao Fierro, porque estava errando tudo que tentou. Faz parte, ninguem consegue jogar bem 100% do tempo, e ainda dependemos demais dos talentos individuais de Adriano e Pet. Com os dois tao mal em campo, nao ha raca que leve o time adiante.

Agora o jeito eh voltar a cabeca pro jogo contra o Corinthians e esquecer um pouco a secacao ao Sao Paulo. Perdemos uma chance de ouro, mas ja passamos algumas rodadas almejando o G4 a foi dificilimo entrar nesse grupo seleto tambem. Toda ascensao tem alguns plateaus, e pra nos esta dificil de se acostumar com isso por conta da grande ansiedade por um titulo que nao vem ha 17 anos. Tambem nao acho que seja hora de crucificar esse ou aquele atleta por conta do ultimo jogo, ou detonar o Andrade por uma eventual mexida errada. O momento eh de apoio total ao time!

Falando sobre as dificuldades enfrentadas, lembro que o Fla não teve UM título fácil até hoje fora o Carioca de 96, em que ganhamos os dois turnos. Nos Brasileiroes, nossas dificuldades foram ainda maiores: lembrem-se das finais estilo “Deus nos acuda” contra o Atletico-MG em 1980, do empate em 1 x 1 contra o Gremio em pleno Maraca no primeiro jogo (com empate nosso no ultimo minuto!!!) em 1982, e da obrigacao de vencer o Santos por 3 gols de diferenca em 1983. Na Copa Uniao em 1987 foi menos traumatico ganhar do Atletico nas semifinais e do Inter nas finais, mas lembrem-se que nossa classificacao so saiu na bacia das almas, porque o Atletico-MG ganhou dois turnos, e so nos classificamos por termos a segunda melhor campanha geral. Em 92 entao, nem se fala!!! Precisavamos que o Vasco, nosso maior rival na epoca, arrancasse pontos do Sao Paulo, e conseguimos.

Como se pode ver, nossa história é assim mesmo, nao existe nada facil. Essa eh parte da nossa rotina, e todo rubro-negro tem que se acostumar. Quem não aguentar, que peça pra sair!!!

SRN,

Rodrigo Altaf

A Grande Maçã Rubro-Negra: Coluna do Paulo Lima (New York-EUA)

REFLEXÕES ALÉM DO HEXA – SE VIER OU SE NÃO VIER

Como tenho defendido aqui no blog, o resultado ante o Goiás nada mais fez do que nos voltar à dura realidade.

Está certo que Andrade encontrou uma forma de jogar interessante. Deu liga ao sistema defensivo, contando com o suporte de Álvaro e Maldonado, valorizando peças de melhor saída de bola e marcação (Williams) e, ao menos tentando, fazer os alas voltarem a ter boas atuações como laterais. Léo Moura consegue chegar perto. Juan ainda está longe.

Fato é que, de nosso tão badalado trio ofensivo, ao menos duas peças (Zé Roberto e Petkovic) têm rendido num improvável nível de excelência. Finito. E perto do fim.

Quanto a Pet – o gringo tem superado as naturais fronteiras físicas da idade. Mas o fôlego, há alguns jogos, parece faltar e não mais voltar – tanto é que seu brilho recente ocorreu mais por bolas paradas e lançamentos de média-longa distância do que propriamente de arrancadas e jogadas de alto impacto (como no gol sobre o Goiás, no primeiro turno).

A imponderabilidade de Zé Roberto reside justamente em sua regularidade nos jogos. O normal é que seja inconstante. Não poderíamos achar que exibisse bom futebol até o fim do campeonato. Sob pressão, ele entra em ruínas.

Vão me chamar de derrotista e pessimista. Mas faço o alerta desde já: nem Pet nem ZR são nomes para a Libertadores. Estou pensando além do título brasileiro. Sim, quero e acredito no hexa, mas quero mesmo, muito mesmo, é ser bicampeão da Libertadores da América – ainda que isso sacrifique o título nacional.

Para que isto aconteça, é necessário entender que estes dois jogadores não podem estar no futuro do Flamengo em 2010. Pelo menos, não como prioridade, não como titulares absolutos. Se formos campeões, serão elevados a reis e tidos como armas fundamentais para a competição continental. Caso contrário, tudo deverá (ou, no mínimo, poderá) ser repensado.

O ideal é que, em janeiro, o novo governante do clube chegue à mesma conclusão que eu: arrancamos no Brasileirão por vários fatores – da fragilidade e incapacidade dos adversários à mística do Manto e à força da Magnética. Mas que fique em segundo plano valorizar a qualidade de nossos principais jogadores. Sim, estes foram importantes e protagonizaram jogos e momentos sublimes (como as vitórias sobre Palmeiras e Atlético, fora de casa). Mas que entendamos não serem a molas-mestras para o time na LA.

Andrade, por sua vez, deve permanecer. Montar um time, avaliar e reavaliar a permanência dos medalhões (LM, Juan, Pet, ZR), acertar a permanência de quem se destacou (Everton, Williams, Airton, Alvaro e Maldonado), promover e efetivar os garotos da base já no Estadual e contratar, com competência, para a temporada.

Adriano? Que se resolva a situação no início do ano. Para deixá-lo sair para a Seleção em maio e não mais voltar, é melhor começar 2010 sem ele.

Penta foi ótimo. Pena que não nos fortaleceu

Que o hexa venha. Mas que não nos lamentemos muito se não o tivermos. Vamos avaliar profundamente e pensar se nossa consistência é perene. Em 92, nosso escrete pentacampeão foi endeusado, sob a égide do DCF. Levamos um provável ferro na Libertadores de 93 e desde então, após rifarem uma geração inteira de pratas-da-casa, ficamos órfãos de grandes conquistas.

O penta foi ótimo. Pena que não fortaleceu o clube. Pena que não foi aproveitado como arma para reerguer o CRF à hegemonia nacional e continental, como nos anos 80. Ainda hoje, sem CT decente, estádio, com dívidas acachapantes, política claudicante na base, como pensar que será diferente desta vez?

O importante é que chegamos, marcamos presença na ponta da tabela. Vamos garantir o terceiro lugar, com vaga direta para a competição continental. Temos de ter a certeza de que ficou de ótimo tamanho, pelo que fizemos no campeonato, pelos jogadores que temos (e seus reais valores) e pela estrutura que temos fora de campo para suportar, em alto nível, um campeonato de pontos corridos tão acirrado.

Se vier o hexa, que saibamos gerir o bonus – e ônus – que o acompanhará.

NOSSO MUNDO É FLAMENGO: Nostalgia e serenidade

Paulo Lima*

Nos idos de 85-86, me recordo, não com muitos detalhes, da minha primeira partida no Maracanã. Era um Flamengo x Goiás, e o adversário nos derrotou, de virada: 2 a 1. As informações que tinha me foram suficientes para identificar, em pesquisa no FlaEstatística.com, de qual jogo se tratava. Foi o Brasileirão de 86. Coincidentemente, há EXATOS 23 anos: Dia 22/11/86. Com o mesmo adversário. Bebeto foi o autor de nosso tento.

Não é meu objetivo ser profeta do apocalipse nem advogar suposta culpa pelo fracasso. Pelo contrário: é para exorcixarmos o fantasma, se é que ele existe. Li ter sido a última (e única) vitória dos goianos sobre nós no Maior do Mundo em Brasileiros (ok, o 3 a 3 do ano passado foi como se fosse…).

Fato é que jamais deixei de pensar em ser Flamengo por conta daquela derrota. Era minha estreia oficial como rubro-negro. Estádio com pouca gente, derrota, nada realmente a empolgar.

Muitas vezes é difícil precisar porque decidimos torcer por determinado time. Pode ser por influência de família (meu pai é rubro-negro, mas sem xiitismo – se fosse por pressão, seria tricolor por meus dois avôs), por empatia com as cores, por um ídolo.

De toda forma, deve-se dizer que a primeira impressão do torcedor ao vivo faz, muitas vezes, toda a diferença. E ela não fez para mim.

Quero dizer é que não podemos baixar a cabeça, desistir do Flamengo, do futebol e da vida se a decepção deste domingo for a mesma que tive há 23 anos. Estamos próximos do hexa como nunca tivemos desde 92. Mas, ao conjecturarmos uma possível perda do título, vamos lembrar o equilíbrio do campeonato, o início irregular na competição, os problemas estruturais que se secundarizaram mas não deixaram de existir, os poderosos rivais… O time encaixou? Sim. O técnico deu liga? Igualmente. Mas os caras não são sobrenaturais, não viraram super-heróis da noite para o dia. Estão sujeitos a erro, vaia e má atuação.

Serenidade é a palavra de ordem. Quaisquer que sejam os desdobramentos do fim de semana. Nada estará perdido seja qual for o resultado. Há vida (e campeonato) além do Goiás. Há vida além do Brasileiro-09.

Vamos em busca da superação sobre o Goiás para nos garantir na Libertadores. Isto ainda não aconteceu. O destino se encarregará de nos conduzir, ou não, ao caneco.

Assim como me fez ser rubro-negro.

* Coluna publicada originalmente no blog da FlamengoNet.

Entrevista de Petkovic ao Jô Soares

Amigos do Mundo Flamengo,

Seguem as três partes da entrevista de Petkovic no Programa do Jô (Canal do Leomagamon no Youtube).

Faltou o hino do Flamengo na chamada ao jogador. Culpa do maldito gordo tricolor…

Parte 1:

Parte 2:

Parte 3:

O renascimento do Mengão de São Judas

Texto originalmente publicado no site da FIFA*

São Judas Tadeu é o santo padroeiro das causas desesperadas e, também, do clube que é a paixão de quase 40 milhões de brasileiros. E este clube se achava irremediavelmente mergulhado em uma dessas situações de desespero em agosto passado.

As chances do Flamengo de ganhar o Brasileirão, na verdade, pareciam extintas. Elas haviam sido praticamente enterradas após a derrota por 3×0 para o Avaí, time recém promovido à Série A, e um humilhante coro de “olés” vindo da torcida Catarinense parecia confirmar mais um constrangedor fracasso.

O gigante do Rio de Janeiro havia sofrido três derrotas em seguida. Ele se arrastava na 14a colocação, 13 pontos abaixo do líder do campeonato. Ele parecia ter perdido o tesão; ele parecia ter perdido a confiança. Uma reação parecia inconcebível; uma retirada desonrosa do campo de batalha era cada dia mais e mais provável.

Foi então que São Judas decidiu atender às preces dos Flamenguistas. E ele o fez através de um punhado de discípulos: a garra motivacional e a sagacidade tática de Andrade foi a força motriz do renascimento; o goleiro Bruno se tornou uma barreira quase impenetrável; Maldonado solidificou um turbulento meio de campo; Petkovic enganou quem pensava que ele era uma relíquia (o Sérvio fez 37 anos em setembro), jogando um futebol radiante; e o atacante Adriano, que foi um solitário (embora inconstante) brilhareco durante a primeira metade da campanha do Mengão, atingiu mais uma vez o ápice de uma carreira que muitos acreditavam encerrada.

A reação desde o pesadelo contra o Avaí foi impressionante. O Flamengo, apesar de ter tido uma desafiadora sequência de jogos, venceu dez, empatou três e perdeu apenas um em seus últimos 14 testes; esses resultados impulsionaram o time à segunda colocação no Brasileirão – apenas dois pontos atrás do líder São Paulo, faltando três rodadas para o seu final – e colocou seus torcedores em um estado de êxtase.

“Quem riu de nós agora está vendo que estamos perto do sucesso,” declarou Bruno. “Nós nunca deixamos de acreditar. Este é o resultado da união do time.”

Essa unidade ficou evidente quando o apito final decretou a vitória por 2×0 contra o Náutico em Recife no domingo, trazendo os jogadores em um círculo, braços em volta uns dos outros por quase um minuto. Este foi um pedido do no 1. “Eu disse que, naquele momento, o Rio de Janeiro estava pintado de vermelho e negro, e que os torcedores que estavam ali representavam uma Nação que precisava e merecia esse título,” Bruno explicou.

Apenas três rodadas restam para o Flamengo tentar suplantar o São Paulo (que está perseguindo um inédito 4o título brasileiro consecutivo), mas os presságios parecem vestidos em vermelho e preto enquanto o time busca seu primeiro título nacional desde 1992. De fato, dois dos jogos que ainda faltam ao Mengão vão ser disputados no Maracanã, onde ele venceu os últimos 6 jogos que jogou ali. E onde tem o apoio incondicional de massas de Flamenguistas que lotam o venerável estádio até o teto e promovem uma única, tempestuosa corrente de inspiração. O Tricolor Paulista, por outro lado, joga dois dos seus três compromissos fora de casa – e seis de suas sete derrotas até aqui aconteceram longe de seus domínios.

“Eu estou muito orgulhoso dos meus jogadores,” diz Andrade, que foi um icônico meio campo no Flamengo que conquistou tudo nos anos ’80. “Eles têm feito tudo certo até agora. Já faz muito tempo desde que o Flamengo não tem uma chance como esta, e nós temos que continuar avançando. A tensão aumenta a cada jogo. O São Paulo é um forte candidato e o título está nas mãos deles mas, se nós fizermos a nossa parte, quem sabe?”

Adriano, o artilheiro da competição com 19 gols, atribui o sucesso do Flamengo a seu técnico. “Nós estamos nessa posição por causa do Andrade,” ele diz. “Antes do jogo (contra o Náutico), eu brinquei com ele que, se ele precisasse, eu iria jogar na lateral esquerda (o titular Juan estava suspenso, e o reserva Everton Silva machucado). Este é o espírito deste grupo.

“Nosso objetivo é dar esse campeonato para a nossa maravilhosa torcida. Nós temos que nos concentrar no nosso trabalho e não pensar no nosso rival. Esse titulo vai ser o ápice da minha carreira.”

Uma declaração e tanto para o homem que venceu a Copa América de 2004 e recebeu o prêmio de melhor jogador do torneio, ganhou a Bola de Ouro e a Chuteira de Ouro da Adidas após o triunfo da Seleção Brasileira na Copa das Confederações da Alemanha em 2005 e ajudou a Inter de Milão a vencer três títulos do campeonato Italiano.

Todavia, considerando como parecia inconcebível o Flamengo vencer o Brasileirão três meses atrás, talvez a realização desta missão impossível seja mesmo visto como o a maior conquista da história para grande parte dos Flamenguistas – mesmo alguns daqueles velhos o bastante que acompanharam os anos de ouro de Zico, Júnior e etc.

A bola está com você, São Judas.

 

*tradução livre, leve, solta e meio vagabunda de Max Amaral.

Eu apostei!

Por Lauro Melo (Adelaide, Ausrtrália)

Irmãos Flamenguistas,

Isso mesmo, eu apostei! Ou “pois é, eu apostei!”. Não foi nenhuma fortuna, mas também não foi qualquer trocado. Foram 50 dólares australianos. Não preciso nem dizer o que eu apostei, né? Deixa então eu contar toda a história.

Sábado tava eu na festa de aniversário de uma brasileira aqui em Adelaide. Vários brasileiros de todas as partes e o assunto, como sempre, chegou no futebol. Eu era o único flamenguista (só vindo pra tão longe mesmo pra isso acontecer). Aí eu mando um clássico “o Mengão vai ser campeão!”. Alguns não concordaram, outros sim, alguns disseram não saber e outros não quiseram opinar. Mas um gremista bateu pé e disse “de jeito nenhum! Duvido!”. Aí o sangue subiu. Aquilo bem de anti-flamenguista, sabem? O cara tá a passeio no campeonato (nem sei se o Grêmio tem chance de Libertadores porque não me importo) e ainda fica todo melindrado com a possibilidade do Mengão ser hexa?! O cara é gente boa e tals, mas tem muito anti-flamenguista gente boa no mundo. No caso dele, ainda dever ser reflexo de ter perdido aquele brasileiro em casa pro Mengão em 82… Aí a conversa ficou naquele inútil e estéril “vai ser campeão”/“nãovai”. Tipo, não sei qual é a argumentação do cara. Tudo bem, naquele momento, antes do jogo contro o Náutico, o Mengão ainda estava na terceira posição. Mas como alguém poderia afirmar categoricamente que não seria campeão? Eu posso afirmar que vai porque sou flamenguista (qual o sentido de um torcedor que não acredita?). Aí chegou num momento que eu disse “quer apostar?”.

Não me entendam mal. Não tô cantando vitória antes do tempo, nem de sapato alto e nem de oba-oba. Sei que não ganhamos nada e que o caminho ainda é longo (principalmente por dependermos de um tropeço do time do Morumbi). Mas que graça teria o futebol se os torcedores não pudessem acreditar e apoiar os seus times? Temos é que celebrar o fato do nosso time ter chances REAIS de ser campeão. Como não vou acreditar? Como não vou apoiar? Como não vou criar expectativas? Como não vou ficar ansioso? E isso inclui falar aos quatro ventos do meu otimismo. E talvez até apostar, se a situação exigir que eu seja mais enfático. Mas repito: isso não tem nada a ver com oba-oba. Não tô dizendo que já sou campeão ou fazendo camisas comemorativas. Só to feliz com o meu time e acho que as coisas podem dar certo. O que há de mau nisso? Tenho tanta confiança no meu time que até resolvi arriscar um dinheirinho… Acho que essas manifestações da torcida deveriam é servir de apoio aos jogadores do Mais Querido. Imagino que seja bom saber que a tua torcida confia e acredita em você. Otimismo é uma coisa, soberba é outra. Apostar faz parte do jogo. Ganhar ou perder, também. Se eu não apostasse no meu time nessa situação, quando mais eu poderia apostar? Dia 6 de dezembro todos saberão se ganhei ou perdi. Mas é muito mais fácil quando 32 milhões torcem por mim!

Saudações Rubro-Negras,

Lauro Melo

VISÃO DO MUNDO: O impossível virou obrigação (NAU 0 x 2 FLA)

Paulo Lima. EASTCHESTER (NY), Estados Unidos

Ok, ok. Diferente do que analisei na última vez, temos, sim, agora, totais chances de arrebatar o Brasileiro. Não só chances, mas também esperanças. Algo palpável, real, a ser decidido no tiro curto e com combinação de resultados bastante verossímil.

O triunfo sobre o Náutico foi simbólico por vários fatores. Capacitou o clube como candidato definitivo ao caneco e nos deixar a uma vitória, sobre o Goiás, da vaga na Libertadores. Objetivo que, pelo andar da carruagem, já nos soará como conquista inconsolável. De todo modo, os 2 a 0 no Recife mostrou o Flamengo como força coletiva, como time independente do rendimento incomum de peça A ou peça B.

Adriano voltou a ter atuação mais consistente, e não só (como se já não nos bastasse) com gols. Zé Roberto e Petkovic fizeram bem o que deles se esperava, mas sem serem brilhantes. Brilhante mesmo foi o sistema defensivo, de Léo Moura a Williams, com menção honrosa a Bruno. E isso sem Maldonado, jogador considerado por especialistas a mola-mestra de nossa retaguarda, sem o qual, segundo os entendedores, padeceríamos bruscamente. O que aconteceu foi que Toró deu conta do recado, ajudando a reduzir a frustração pela perda do chileno, lesionado gravemente com o Chile e que será desfalque certo, com sorte, só até o fim da temporada. Quando saiu, por suspensão, Alvaro também seria ressentido de forma arrebatadora. Os reservas preencheram o vazio e nem gol tomamos.

Fato é que as coisas parecem conspirar a nosso favor. Kleberson volta, ao menos no banco. Se jogar meio tempo contra o Goiás, pode até ser o substituto ideal de Maldonado – com Williams mais recuado, possivelmente. Acaba que a contusão do chileno pode ter dado a necessária brecha para o Penta ser o diferencial do time nos últimos jogos. Irá ajudar o Pet na armação e puxando marcação para si, em favor de maior liberdade para o Gringo. Perfeito.

Em termos de tabela, é para sermos pragmáticos. Vencer os três jogos. Difícil, sim. Impossível, claro que não. Pela trajetória do time neste Campeonato, impossível é palavra a ser descartada. Muito mais fácil bater equipes que nada mais querem na competição, sendo duas partidas no Maracanã, do que ter vencido Palmeiras e Atlético-MG fora de casa.

A meu ver, a próxima rodada dirá muita coisa. Não pelo lado do Flamengo, e sim pelo adversário. O Botafogo é o clube que mais tem chances de tirar pontos do São Paulo. Joga em casa e está ameaçadíssimo. Goiás, mesmo em Goiânia, e Sport, rebaixado, serão presas fáceis para os paulistas. Por isso, é cruzar os dedos e torcer muito pelo Botafogo. Um empate já nos serve:  combinado a três vitórias nossas, chegaríamos ao fim da última rodada em primeiro, igual em pontos mas com mais vitórias.  

Mas repito: ainda que vençam o Botafogo, não dá para desanimar. Para este Flamengo-2009 não existe o impossível…mesmo que seja na secação aos adversários.

Nosso Mundo é Flamengo – Mea Culpa

Por Max Amaral, de Denver, CO (ESTADOS UNIDOS)*

Mea culpa, mea maxima culpa.

Sim, eu fui dos que duvidei. Eu fui dos que desisti. Eu fui dos que não acreditou na ressurreição do Pet ou do Zero Berto. Eu fui dos que achei que a briga política por conta das eleições iria afetar o rendimento do time em campo. Eu fui dos que pensou que o Andrade seria apenas um técnico tampão, fechando melancolicamente mais um ano em que não brigaríamos por nada que valesse a pena. Eu fui dos que cornetei.

No entanto, nosso time está aí, lutando pela liderança, lutando pelo título. Um monte de acertos improváveis nos trouxe até aqui, muito mais sorte que planejamento, e o coração bate mais forte a cada semana.

Mas ainda não ganhamos nada. Ainda não garantimos nem a vaga no G4. Ainda estamos na fila e, se não ganharmos o jogo deste domingo, nossas chances diminuem drasticamente.

Então, humildade máxima. Seriedade máxima. Foco máximo.

35 milhões de rubro-negros estão segurando a respiração pelas próximas 4 semanas. Eu, pelo menos, estou.

 

*Max Amaral mora nos Estados Unidos, onde ninguém entende por que é que ele fica completamente tenso durante os fins de semana. Este texto foi originalmente publicado no Blog da FlamengoNet  (http://flamengonet.blogspot.com/).

Que alegria!

Por Lauro Melo (Adelaide, Ausrtrália)

Irmãos Flamenguistas,

Que alegria é ver o Mengão na atual situação! Como é bom saber que este é um dos campeonatos mais disputados da era dos pontos corridos e nós estamos nessa disputa! E mais: jogando bem! Claro que nem sempre, mas ninguém discute que somos um dos melhores times do compeonato. Jogando bonito quando dá e com eficiência quando necessário. A cara do Andrade. Muito obrigado, mestre!

Confesso que é bem cansativo acordar às 4 da manhã numa segunda-feira mas valeu a pena. Eu já tava muito pilhado porque, no domingo, assisti ao documentário “Heróis de uma Nação” sobre o nosso caminho ao topo do mundo em 1981, caminho esse onde passamos pelo Atlético-MG. Ver aquele documentário me encheu ainda mais a pilha pra acordar e ver o jogo. Recomendo muito o documentário: http://www.megaupload.com/?d=P9OA5CDR

Tem um momento em que o Junior Capace diz tudo: aquele time era formado por homens, na melhor concepção da palavra. Homens que honraram o Manto! É essa grandeza de caráter que vejo no Andrade como técnico hoje. É um pouco dessa filosofia que vejo ele tentando implantar hoje em dia, mesmo os tempos, as circunstâncias e a realidade sendo outras. Como é bom ver o Mais Querido jogando bem e sendo liderado por um técnico de verdade. Não um professorzinho cheio de teorias (e sem prática nenhuma) e sem identificação com coisa alguma, nem com as cores do Mais Querido. Muito menos um “manager” arrogante que acha que sabe de tudo e sempre tem razão. Ou até um técnico da moda que ganhe algumas centenas de milhares de real por mês e ainda assim se acha no direito de ser mal educado com a imprensa e com a torcida em 90% do tempo.

A partir de agora, não sei o que vai acontecer. A única certeza que eu tenho é que vou continuar a acordar de madrugada pra acompanhar o meu Mengão. Com toda a alegria! Concordo que não há nada ganho, mas grandes passos já foram dados. Inegavelmente, esse time tá merecendo a Libertadores e até o título. A torcida então, nem se fala! Mas vamos devagar, cada jogo é uma história. E ainda dependemos de outros resultados, não só dos nossos. Por enquanto, temos chance. Só isso! Mas chances reais. E merecidas. Continuemos fazendo a nossa parte e depois a gente vê o que rolou!

Saudações Rubro-Negras,

P.S.: Nada disso impede que fiquemos de olho e tentemos mudar tudo de errado que há no clube já há algumas décadas… A eleição em dezembro tá aí pra isso!

Lauro Melo