Por Paulo Lima. EASTCHESTER (NY), Estados Unidos
Hoje, aqui dos EUA, me senti novamente perto do Maracanã.
A companhia de sempre, meu pai, nos visita. E tem dado a velha sorte de sempre. A vitória sobre o São Paulo foi a quarta partida do velho por aqui, após o fácil triunfo sobre o Flu e os empates importantes, fora de casa, contra Inter e Vitória. E a com mais cara de Maraca.
Sim, porque o São Paulo foi o rival mais difícil e a vitória saiu sofrida, suada, na base da raça, da emoção, do coração. Ingredientes de um jogo das antigas, em que nem sempre éramos os times que tinha a supremacia técnica (na verdade, era algo raro), mas sobrava o essencial: a vontade de vencer.
De toda forma, os tempos são outros. Tiradas ótimas do meu pai, como a do “Quem diria, Greta Garbo foi parar no Irajá”, referindo-se ao patrocínio dos postos Ale estampado na Magnética. Faz todo o sentido.
É uma pena que ele se vai agora. Claro, tem as suas coisas no Rio. Mas a companhia vinha sendo avassaladora. O Palmeiras que se cuidasse. Talvez as lesões de Álvaro e Éverton sejam um sinal de que o vôo dele tenha de ser cancelado e que ele resolva ficar aqui mais um tempo.
Mas enfim. A torcida terá de ser redobrada na 97 Ridge Street. Alguns velhos rituais terão de voltar. Mas isso a gente vê depois.
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Sobre o jogo, é realmente absurdo imaginar que pudéssemos ficar sem os três pontos. Fomos absolutamente soberanos na partida. Mais do que todas as que ficamos invictos nesta última série. Talvez até tenha sido nossa melhor atuação no Campeonato. Ou na temporada. Embora o placar não tenha traduzido tal hegemonia.
Jamais nos ressentimos de Adriano e Léo Moura. Breve correção: sim, Adriano fez muita falta, especialmente nas pixotadas de Denis Marques. Era para ser muito, mas muito mais fácil se o Imperador estivesse em campo. Foi ótimo Mezenga ter dado conta do recado. Espero que o Andrade se ilumine e o eleja como efetivo substituto de nosso camisa 10.
Zé Roberto e Pet, dois monstros. O primeiro fez um ótimo primeiro tempo. Sumiu por meia hora no segundo e voltou como um foguete nos últimos 15. Começo a achar que faz isso meio que intencionalmente, pois sabe que a marcação aperta e que se forçar o tempo todo não vai ter pernas até o final. Prefere se fingir de morto e apostar numa nova correria no final, quando os defensores adversários já carecem de fôlego.
Veja os gols e a crônica do Globo Esporte.com aqui.
O gringo também me pareceu desgastado em meados do segundo tempo. Mas deu as forças que parecia não ter para tornar o Flamengo candidatíssima ao G-4. Agora, não tem jeito. Somos mesmo pleiteantes a essa vaga. É incontestável. Falta provar algo mais?
Não achei que Juan tenha jogado mal. A substituição deve realmente ocorrido por questões físicas. Espero mesmo que volte com tudo contra o Palmeiras. Vamos muito precisar do velho Juan neste momento.
Estou tentando achar alguma ressalva na performance de hoje, só para tentar equilibrar o texto e dosar um pouco a empolgação. Mas não dá.
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Apesar disso tudo, nada está ganho, ou encaminhado. Longe disso.
Antes de mais nada, fato é que, se boas coincidências trazem bons fluidos, foi justamente na vitória por 1 a 0 sobre o São Paulo, há dois anos, é que arrancamos verdadeiramente para a vaga na Libertadores. É verdade que naquela ocasião tínhamos um jogo a mais do que teremos daqui para a frente. Em compensação estávamos em nono colocado, a cinco pontos do quarto colocado. Agora, antes do fim da 29a rodada, estamos em sexto e a apenas dois do último clube do G-4.
De todo modo, o desafio será gigante. Em 2007, seis dos 10 jogos restantes foram em casa (sendo dois clássicos). Foram sete vitórias (sendo uma contra o Paraná, fora de casa – fundamental) e três derrotas. Agora, dos nove confrontos que nos faltam, apenas três serão em nossa verdadeira casa. Quatro no Rio, contando o duelo com o Foguinho no Engenhão. Parada indigesta.
Resta saber se vamos suportar este caminho tortuoso com uma defesa mutilada – sem Álvaro, caso se confirme a gravidade da lesão, e sem David, que só volta para valer na penúltima rodada. Incrivelmente Wellinton entrou com muita personalidade. Mas fica a interrogação de como agirá sob pressão, e como se portará nas dificuldades.
Mas vamos curtir a semana feliz. Começá-la vestindo as camisas de Cruzeiro (contra o Atlético-MG) e Sport (contra o Goiás). Se sorrirmos ao fim desta segunda, a sensação de que o raio cairá sob o mesmo lugar será ainda maior.