Arquivo do mês: julho 2009

O melhor para o Flamengo

Paulo Lima. EASTCHESTER (NY), Estados Unidos

O clamor da torcida rubro-negra pela permanência de Andrade não se justifica apenas pelos resultados do técnico em campo. É um chamado pelo resgate do real flamenguismo, na pele de um dos maiores jogadores que vestiram o Manto Sagrado.

Agora, diante dos dois últimos resultados, parte-se do princípio de que o apoio incondicional ao ex-meio-campista também objetiva evitar que assuma um treinador com pouca experiência e que desconheça a realidade do clube e do elenco.

Ou seja, com a escassez de nomes disponíveis, Andrade deve ser confirmado como efetivo, a não ser que um desastre aconteça no domingo (leia-se: não vencer o lanterna Náutico, em casa).

Um técnico de fala mansa, de entrevistas ainda inseguras, de palavras dosadas num gaguejar típico de quem ainda não desembaraçou-se para um cargo tão importante. Seu desafio é ser um dos centros das atenções. Era fundamental no esquema do time que tudo venceu nos 80, mas era coadjuvante entre os holofotes. Agora, deve estar preparado para uma exposição ostensiva – e muitas vezes, cruel.

A julgar pelos discursos, os jogadores devem estar sendo cativados pelas palavras de Andrade. Internamente, a claudicância provavelmente dá lugar à segurança de um vitorioso nas quatro linhas.

Talvez seja isso que importa, agora. Alguém que trabalhe para comprometer o elenco e que queira aparecer pouco, sem invencionices.

“O que for melhor para o Flamengo, é o melhor para mim”, disse ele no fim da entrevista de ontem.

Então prepare-se, Tromba. A sua hora chegou.

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Flamengo 3 x 1 Atlético-MG. Jogo que ainda expôs falhas defensivas, mas que serviu para iniciar a recuperação de Léo Moura, que esteve em ótima noite. Emerson foi mais uma vez um monstro até metade do segundo tempo, quando suas pernas pararam. Destaco Éverton e Toró, eficientes e decisivos. Kleberson e Wellinton começaram muito mal, mas se reabilitaram no segundo tempo. O zagueiro foi muito bem na etapa final.

Flamengo x Atlético-MG: Transmissão

O jogo Flamengo x Atlético-MG de hoje será transmitido ao vivo pelo PFC Internacional a partir das 21:00 (Horário de Brasília). Para saber os países que têm transmissão do PFC Internacional, clique aqui.

Para quem não tem acesso ao PFC Internacional e quer ver o jogo através da Internet, a partida será transmitida em alguns canais online através da JustinTV. Para saber quais os canais que transmitirão, consulte o site da JustinTV.

Uma justa homenagem

*por Thiago Gonçalves, Braga (Portugal)

A vida na Gávea é sempre conturbada, mas temos que admitir que semana passada foi mais conturbada que o normal. Houve demissão de técnico, afastamento de dirigente e a pior de todas as notícias, perdemos a companhia de um grande rubro-negro que foi o nosso ex-goleiro Zé Carlos.

Zé Carlos subiu à equipe principal do Flamengo em 1984, ano em que nasci, permanecendo durante 7 anos à frente do gol rubro-negro. Logicamente que não me recordo desse tempo, excetuando algumas esporádicas lembranças, mas lembro-me bem da sua volta ao Flamengo em 1996 para ficar dois anos.

Nessa época, meu pai tinha se tornado sócio do Flamengo há pouco tempo e um dos locais que eu e meu irmão insistíamos que nossa mãe nos levasse nos tempos livres, era à Gávea para vermos os treinos e respirarmos os ares do Flamengo.

Em 1996 conhecemos pessoalmente o Zé Carlos. No final de um treino, estávamos nós e mais um grupo de pessoas espremidos contra a grade gritando pelos jogadores por autógrafos e o Zé Grandão foi dos mais solícitos nesse dia. Alguns jogadores vieram, outros não, outros vieram com pressa, mas o Zé Carlos foi dos únicos que estavam ali mesmo disponíveis para atender a todos. Recordo-me como se fosse ontem, do segurança abrir a pequena divisória na grade que separava as cadeiras da zona dos jogadores para que eu e meu irmão pudéssemos tirar uma foto com ele e o Iranildo. Os autógrafos daquela tarde já se perderam em algum caderno ou agenda, mas a foto ficará para a posterioridade.

Iranildo, meu irmão, Zé Grandão e eu

Iranildo, meu irmão, Zé Grandão e eu

Voltando a 2009, dois dias depois dele nos deixar tínhamos um jogo tão importante como todos nesse campeonato de pontos corridos. Mas um jogo contra o Santos na Vila Belmiro é sempre diferente, é aquele jogo que não dá para ficar p… da vida por não ganhar, afinal de contas eu nunca tinha visto em 25 anos de vida uma vitória lá.

Mas ontem foi algo diferente. Se é verdade que nunca tínhamos ganho um jogo oficial naquele campo, também é verdade que nunca na semana anterior tínhamos demitido técnico, dirigente pedido demissão e um grande rubro-negro falecido. Ontem era um dia diferente.

Uma hora antes do jogo tive uma conversa com meu pai na qual ele me perguntou se ganharíamos o jogo. Eu respondi que desde 76 que não ganhávamos, que já tínhamos tido entretanto times muito superiores ao de hoje e que Wellingtons, Léo Mouras e Torós não me passavam confiança para tal feito. A resposta dele foi simples: “Mas hoje é diferente. Hoje vamos ganhar para dedicar ao Zé Grandão”. Concordei que seria fantástico uma vitória para se poder fazer isso, mas continuei sem muita confiança.

Não estive em casa durante o jogo e o meu serviço de atualização de resultados foi meu irmão por mensagens pelo celular. Quando o Santos abriu o 1×0, achei que a homenagem teria que ser feita de outra forma, mas com o 1×1 parece que o filme de uma virada histórica passou na minha cabeça. Senti que receber mais uma mensagem alertando da virada era uma questão de tempo e que não tinha como isso escapar, afinal de contas na minha cabeça estavam mais do que os três pontos em jogo, estava uma justa homenagem a um grande rubro-negro. E assim foi sem surpresa, mas emocionado que eu recebi a mensagem dizendo que viramos com um gol contra.

Termino esse texto deixando o vídeo da entrevista do Andrade no fim do jogo, onde emocionado, ele dedica a vitória ao Zé Carlos. Uma justa homenagem.

Descanse em paz Zé Carlos!!

(Quase) tudo o que se queria. Em três dias.

Paulo Lima. EASTCHESTER (NY), Estados Unidos

Pois é.

Em pouco mais de três dias, tudo o que grande parte da torcida rubro-negra almejava aconteceu.

Na quarta, o time empatou com o Barueri, mas viu a chance de mostrar, juntos, os jovens pratas-da-casa até então “escondidos” do grande público. Bruno Paulo – para mim, grata surpresa! -, Camacho, Erick Flores, Jorbison, todos integrantes do real futuro do Flamengo. Resultado horrível, teste produtivo.

Na quinta, entoada pela massa rubro-negra do Maraca e desmentida inutilmente pela diretoria, a demissão de Cuca se anunciou. Promessa, aos olhos da maioria, de mudanças, ao menos dentro das quatro linhas. Os problemas de relacionamento com os jogadores, os desgastes com parte da cúpula e as confusas substituições estariam superados. Página virada.

Na sexta, hoje, o fim do ciclo de Kleber Leite e sua trupe – Plinio Serpa Pinto, Michel Asseff e outros “brâmanes” da Gávea. Fim, ou ao menos uma interrupção, já que, como Monnerat bem lembrou em seu blog (sobreflamengo.blogspot.com), este gabinete pode ser reestabelecido em 2010 após as eleições de novembro.

Ou seja: o uso de jovens, a demissão do técnico e a saída da diretoria do futebol, demandas de meses, foram atingidas em poucos dias.

Para essa grande parte da torcida – na qual agora eu me incluo integralmente (eu era a favor de Cuca até o fim, mas eu desconhecia que o fim havia chegado muito antes da saída dele) – ainda falta infelizmente o mais lento e difícil: a pulverização do elenco. Ou seja, o expurgo de medalhões (Léo Moura puxando a fila) e a efetivação dos jovens.

Retomando o texto do amigo Monnerat: com Marcos Braz no comando do futebol e sem nomes que atravanquem o palanque para o fim do ano, o presidente Delair Drumbosck terá a metade do ano para, escolhido seus eleitos, decidir seu futuro. Difícil, mas se o novo técnico der liga a esse time e repetirmos 2007, são grandes as chances de o nosso atual mandatário (a quem eu tinha profunda – hoje, menos, – resistência) emplacar o próximo triênio.

Ansioso estou agora para saber quem será o novo treinador. Prefiro esperar para julgar o eleito a pitacar os cotados.

Juventude

*por Thiago Gonçalves, Braga (Portugal)

Tentarei não focar o texto no empate contra o Barueri, nem na iminente saída do treinador, nem na pífia sequência de jogos que fizemos no Maracanã, nada disso… Tentarei focar num dos poucos pontos que me deu orgulho ontem, senão o único: os três garotos que foram opções para as substituições.

O Flamengo sempre foi famoso pelo lema de fazer craque em casa, mas nos últimos anos essa tradição tem vindo a ser esquecida, quer pela falta de qualidade dos garotos da base quer pelas poucas oprtunidades que lhes são dadas. A política de contratações do Flamengo sempre priorizou a contratação de um jogador-aposta vindo de fora do que apostar num garoto que, independente da qualidade, sabe ao menos o que é o Flamengo há alguns anos. E com isso eu não concordo.

Não sou romântico ao ponto de dizer que queria um time formado apenas por jogadores da base, ou que a grande maioria fossem oriundos de lá, não é isso, até porque sei que no futebol de hoje isso é praticamente inviável. Mas o que defendo é que se for para fazer apostas tipo Alex Cruz, Aleílson ou Dênis Marques que não gastem dinheiro e dêem oportunidade aos jovens do clube.

Qual terá sido a última vez que as três substituições foram utilizadas para entrar três jovens com idade máxima de 20 anos vindos das categorias jovens? Confesso que não faço a mínima ideia e não deve ter sido há pouco tempo. Ontem, no caldeirão que estava o jogo, isso aconteceu. O medo de queimar os garotos existe sempre,mas o que se viu foram três jovens cheios de disposição, querendo mostrar serviço, querendo mudar o rumo das coisas, franzinos mas enfrentando os mais velhos cara-a-cara.

Não conhecia o Bruno Paulo, mas no pouco tempo que esteve em campo ontem, eu gostei do que vi. Teve bons lances individuais, chegou bem à linha de fundo, fez o 1-2 procurando a desmarcação, ou seja, fez o simples que nós tanto pedimos. Scolari uma vez didsse e concordo: “No futebol tudo já foi inventado, agora temos que jogar com isso. Não adianta querermos inventar mais.”.

Quanto ao Camacho eu já tenho visto aparecer nos últimos jogos entrando nos últimos minutos e acho que sempre de forma agradável. Parece ter boa visão de jogo, distribui bem os lances e não se omite do jogo, não se esconde como vemos alguns dos “consagrados” fazendo sempre.

Falta falar sobre o Erick Flores, que apesar de ser o mais experiente dos três no time principal, foi o que menos me agradou. Não achei que tivesse entrado mal, mas produziu pouco, embora muito devido ao fato do futebol do Flamengo ter sido canalizado pelo lado direito com o Bruno Paulo em evidência. Mas gostei da disposição do Erick Flores. Teve uma sequência de divididas já perto do fim do jogo que chamou-me a atenção a garra demonstrada, a vontade de ficar com a bola, coisas que qualquer um deles devem ter interiorizado que é preciso ter sempre.

Queria apenas colocar uma questão aos dirigentes quanto à capacidade física desses jovens: esses garotos não comem? Não malham? Parece impossível… Dá Nestom, dá sopa, põe pra levantar peso nem que seja lata de leite Ninho cheias de areia da praia, sei lá… faz alguma coisa para que os garotos da base tenham o mínimo de força para se baterem com os “gigantes” do futebol moderno que cada vez é mais físico que técnico. Ou teremos que ter sempre exemplos como o Adriano que era enorme, mas sem força física e passado um ou dois anos em Itália virou um tanque de guerra?

Flamengo x Barueri: Transmissão

O jogo Flamengo x Barueri de hoje será transmitido ao vivo, às 18:30 (Horário de Brasília), pelo PFC Internacional a partir das 19:30 (Horário de Brasília). Para saber os países que têm transmissão do PFC Internacional, clique aqui.

Para quem não tem acesso ao PFC Internacional e quer ver o jogo através da Internet, a partida será transmitida em alguns canais online através da JustinTV. Para saber quais os canais que transmitirão, consulte o site da JustinTV.

Empate inútil

Paulo Lima. EASTCHESTER (NY), Estados Unidos

Em tempos de férias dos colunistas do MF (sim, quase todos estamos no verão do hemisfério norte, e merecemos descanso…), serei bem breve sobre o empate de ontem.

Quisera eu que a construção do placar jogo fosse diferente. Que tivesse sido o Fla a sofrer o empate nos últimos minutos. Mas não. O gol de Emerson nos deu a inútil sensação de vitória em mais uma partida que só o destino cruel de General Severiano não fez os alvinegros saírem vitoriosos.

No começo, e quando vale título, dá para rir do chororô e de todo este karma que tem afastado o timeco deles do triunfo sobre o Mais Querido. Sim, porque lembremos que em 2007 e 2009 empatamos as duas finais, com mais raça e camisa do que justiça.

Agora, num jogo que precisávamos vencer, e principalmente ter uma atuação um pouco menos errática do que contra o Palmeiras, voltamos a expor todos os nossos erros – em especial o DDD: desconcentração, dispersão e desorganização – e que ainda por cima nos fez dar essa alegria de uma igualdade com sabor de vitória.

Talvez se Emerson não tivesse feito aquele gol, os anseios por mudanças maiores – no escopo do time, pelo menos – ficassem mais evidentes.

Achar que temos motivos para comemorar depois de ontem é já entregar as fichas quanto a maiores pretensões nesse Brasileiro.

Só espero que atletas, comissão técnica, diretoria, e boa parte da torcida não festejem um empate com o Barueri, na quarta. “Ah, eles estão jogando muito, a nova sensação do futebol brasileiro….”. Não cola. Esses três pontos já têm de ser dados como certos na Gávea. Senão, pede para sair.

19 de Julho

Por Thiago Gonçalves*

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Domingo, dia 19 de Julho, dia de Flamengo x Botafogo. Um dia para se ir ao Maracanã já com 99% de certeza que vamos sair fazendo festa, comemorando, ou para assistir pela TV, ouvir pelo rádio… afinal, Rubro-Negro nenhum pode deixar de acompanhar esse jogo. Estamos em 1992 e o Flamengo a 90 minutos de se tornar Penta-Campeão Brasileiro.

Uma semana antes, dia 12, a festa tinha sido Rubro-Negra e se o Botafogo entrou para a final como favorito devido à vantagem de jogar por dois empates, a verdade é que 45 minutos bastaram para reverter essa vantagem e deixar a final numa situação em que sabíamos que o título era uma formalidade, uma questão de tempo. Assim como em 81 o Mengão meteu 3×0 em 45 minutos nuns ingleses cheios de marra, quase 11 anos depois a história se repetia, com um primeiro tempo grandioso e 3×0 na conta dos botafoguenses.

Esses dois passeios de 45 minutos tiveram em comum um jogador presente: o nosso querido Leovegildo Lins da Gama Júnior. Se em 81 ele era o grande lateral-esquerdo chamado Júnior, em 92 ele já era meio-campo, dono da camisa nº5, patrão do meio-campo e carinhosamente chamado de Vovô-Garoto.

Como disse antes, o título era uma questão de tempo porque apesar de ser possível uma devolução dos 3×0 iniciais, a verdade é que mesmo muitos anos antes da saga do Tri-Vice nós já sabíamos que isso seria uma missão impossível para um Botafogo diante do Flamengo numa final. Mas aqui nós vemos quando um time é sério porque apesar da imensa vantagem, engana-se quem pensa que o segundo jogo jogo foi visto como uma brincadeira pelos jogadores rubro-negros. O time entrou mordendo e se na primeira partida o show tinha começado com um gol de Júnior, o enredo se repetiu no segundo jogo: uma cobrança de falta perfeita, no ângulo, lá onde a coruja dorme, no final do primeiro tempo para fazer 1×0. O segundo tempo começou igual, com o Flamengo pressionando, jogando melhor e com naturalidade surgiu o 2×0 aos 10 minutos, com um gol de Júlio César.

Daí para frente o jogo tornou-se apenas um detalhe no Maracanã. A festa da torcida rubro-negra em êxtase era mais espetacular que qualquer coisa que pudesse estar acontecendo no gramado. Os dois gols do Botafogo no final do jogo, evitando a derrota, foram apenas detalhes que mesmo quem esteve no estádio nesse dia mal se deve lembrar. O Flamengo era novamente Campeão Brasileiro, o 5ª da sua Galeria de Troféus, e Júnior provava que era possível levar, aos 38 anos, um time a ser Campeão Brasileiro.

Não poderia terminar esse texto sem lembrar o terrível acidente que antecedeu ao jogo nesse dia 19 de Julho. Não lembro isso para dar um ar triste ao fim do texto, mas para homenagear aqueles Rubro-Negros que estavam ali espremidos para ver o seu time campeão e tiveram a infelicidade de estar no lugar errado na hora errada. Centenas de torcedores caíram do anel superior durante o jogo preliminar e ficaram impossibilitados de ver a grande festa, sendo que três pessoas acabaram por perder a vida. A maior homenagem foi feita pelo time nas horas seguintes, oferecendo o título à Nação Rubro-Negra e claro, a eles.

Ficha Técnica:

Data: 12/07/1992
Local: Maracanã – Rio de Janeiro
Público: 122.001
Renda: Cr$ 1.936.000,00
Resultado: Flamengo 2×2 Botafogo
Gols: Pichetti 38 do 2º e Valdir 43 do 2º (B) e Junior 42 do 1º e Julio César 10 do 2º (F)
Juiz: José Roberto Wright
Flamengo: Gilmar, Fabinho, Júnior Baiano, Wilson Gottardo e Piá; Uidemar, Júnior, Zinho e Nélio (Paulo Nunes); Gaúcho e Júlio César. Técnico: Carlinhos
Botafogo: Ricardo Cruz, Odemílson, Renê, Márcio Santos e Válber; Carlos Alberto Santos, Pingo, Carlos Alberto Dias e Renato Gaúcho; Valdeir e Pichetti. Técnico: Gil

Links: 1º Jogo da Final – www.youtube.com/watch?v=byk7G_pfbVw&
2º Jogo da Final – www.youtube.com/watch?v=FYKFofRUoIc

*texto originalmente publicado no blog da FlamengoNet

Há 17 anos atrás, quanta alegria…

A fase atual não é das melhores e não há muitos motivos para sorrir. No entanto, na véspera de mais um Flamengo x Botafogo, trazemos um vídeo hilário do Casseta & Planeta (como era bom, nos velhos tempos!) nos bastidores da finalíssima do Brasileiro de 92, entre as equipes que duelam amanhã no Maraca. O jogo histórico foi há exatos 17 anos da peleja deste domingo.

Divirtam-se!

Ainda sobre Ronaldo e a torcida do Flamengo

Max Amaral, de Denver (CO), EUA

Eu acho que se gastou vela demais com santo ruim mas, como todo mundo deu pitacos sobre a infeliz declaração do Ronaldo Travecômeno sobre o tamanho das torcidas, resolvi também gastar algumas linhas com o tema. Bão, o argumento dele, furadíssimo, é que as pesquisas dizem que há 35 milhões de rubro-negros no país porque as pessoas declaram que o Flamengo é seu segundo time.

Na verdade, é exatamente o contrário. Cresci em uma pequena cidade do interior de Minas, Barbacena. Meu time lá é (ou era, nem sei se ainda existe) o Olympic Club que, pelo menos há 30 anos atrás disputava partidas de vida e morte contra o famigerado Social Clube de Carandaí. Por influências familiares, eu também me declaro Cruzeirense (torcer pelo Patético é algo que nunca passou pela cabeça de ninguém da minha família) e as primeiras vezes que fui a um estádio foram ao Mineirão, sempre vendo o Cruzeiro (de Nelinho e Joãozinho) acabar com as Galinhas. Tenho tanta simpatia pelo Cruzeiro que pretendo, inclusive, comprar uma camisa deles quando for ao Brasil agora no fim do mês (já viu como está bonita a camisa toda azul, sem nenhum patrocínio?!?).

Pois bem. Agora, me perguntem qual o meu time de coração, qual é o time para o qual eu torço de verdade. Sou Flamengo, assim como meu pai é Fluminense e meu irmão mais velho, Botafogo. Tenho alguns amigos de infância e juventude em Barbacena e Belo Horizonte que se declaram apaixonados por Cruzeiro e Atlético, e tenho uma prima carioca que ama o Palmeiras. Morei em Brasília e convivi com gente que torce de coração pelo Vasco (não me pergunte, também não consigo entender), São Paulo, Sport, até pelo Gama. Coração é coração, não tem nada a ver com a geografia.

Então, essa é a minha tese: os times “locais” é que são nossos segundos times. Pode até haver uma coincidência de seu coração bater mais forte pelo time da sua cidade ou do seu Estado mas, no fim das contas, acho que 90% da população brasileira vai dizer que seu time é um dos 12 grandes.

E, só para terminar esse assunto, uma historinha: em 1977 o Corinthians venceu o campeonato paulista, após um jejum de 22 anos, 8 meses e 6 dias sem um título. Foi uma final dramática contra a Ponte Preta, e a imprensa fez a festa. Influenciado pelo clima eufórico e com toda a sabedoria dos meus 10 anos de idade, eu cheguei a me declarar corintiano desde criancinha, e meu pai me deu uma camisa do Timão (talvez considerando que ter um filho torcendo pelos Gambás seria menos triste que um filho rubro negro). Mas foi fogo de palha. Meu amor pelo atual time do Ronaldo não deve ter durado um ano, e nem me lembrava mais disso. De todo jeito, o Corinthians foi para mim, durante aquele breve período, apenas um segundo time. Meu coração rubro-negro nunca balançou.

Ronaldo, mais uma vez, perdeu uma excelente chance de ficar calado.

Empate frustrante, mas animador

Paulo Lima, de Eastchester (NY), EUA

Não vamos atirar a primeira pedra em nossos jogadores. É claro que a sensação do empate soou como derrota, por termos tido um atleta a mais por mais de um tempo – e principalmente pelo futebol vistoso e envolvente apresentado na primeira parte.

Mas não é demais lembrar que, mesmo com 5 desfalques, essa (nova) equipe do Cuca foi muito mais firme e decidida do que aquela, titular, que levou nove gols no Recife e em Curitiba. E o rival era o São Paulo, que mesmo mordido e em baixa ainda tem um dos melhores elencos do Brasil.

O primeiro tempo deve ser gravado pela comissão técnica para servir como exemplo de atuação. Marcação no campo adversário, pressão pelo meio e pelas laterais, jogadas em diagonal. Gostei do Zé Roberto, do Fierro, do Adriano, do Léo Moura. A jovem defesa esteve firme, segura (melhor sair com chutões do que fazer o que fez o goleiro e os beques são-paulinos), e só errou no primeiro gol tricolor.

O segundo tempo, embora bem inferior ao primeiro, não deve ser encarado como o pior dos momentos do time na competição. Não foi todo de se jogar fora. O time deles começou a crescer em campo e é natural que sofrêssemos pressão. O gol de empate, o 2 a 2, foi irregular, embora eu não possa admitir que um zagueiro faça fila e seja derrubado quase na cara do gol – único erro do genial Williams. Para mim, lembrou o Mineiro no auge do Morumbi. E mais jovem.

O frustrante ponto, em minha visão, serviu para amadurecer o grupo, começar a recuperar peças antes tidas como inúteis e embalar o time rumo a uma boa sequência.

Ah, e sim: não sentimos nenhuma falta do Ibson. Pelo menos nesses primeiros 90 minutos sem ele. Me animo com a volta dos ausentes no Maracanã, quarta, contra o Palmeiras.

Alerta ligado

Por Felippe Gonçalves – Covilhã, PORTUGAL

Mais um Brasileiro está dando seus primeiros passos, e quando vamos ainda na décima rodada, vemos que o que conseguimos de bom na temporada passada não estamos conseguindo nesta e um grande problema, na minha pespectiva, assombra os ares da Gávea: a falta de maturidade da equipe em jogos longe do Rio.

Somos uma das equipes mais temidas do Brasil quando jogamos em casa. Para qualquer adversário, visitar o Maraca com o Fla do outro lado do campo é sempre uma motivação extra, mas ao mesmo tempo um problema com duração de 90 minutos.

Precisamos do equilíbrio, e com isso, não tenho praticamente dúvidas de que uma vaga no G4 seria fruto desse bom desempenho como forasteiro.

Até agora foram apenas quatro jogos, mas já deu para notar a debilidade da equipe, com três derrotas e uma vitória que aconteceu contra o modesto Santo André. Fomos até o Mineirão, Ilha do Retiro e Couto Pereira e saímos de lá sem qualquer ponto conquistado.

Precisamos de uma mentalidade diferente nos jogos fora de casa. Temos que defender mais e atacar menos? Entrar atacando como nos jogos em casa? Bom, não sei, deixo isso para quem trabalha diariamente com a equipe, mas que algo tem que ser feito, isso tem. Pelo menos dois pontos roubados ao adversário serão fundamentais nas contas finais quando chegarmos em Dezembro. Caso contrário, seguiremos os passos do Cruzeiro na temporada passada, que conseguiu um registo fantástico quando jogou no Mineirão (15 vitórias, 2 empates e 2 derrotas), mas que foi fortemente penalizado pelos resultados negativos feitos fora de casa, já que saiu derrotado em 11 dos 19 jogos.

Domingo temos mais uma pedreira pela frente. Uma equipe ferida, que tentará contra o Mais Querido do Brasil dar a volta por cima. Todos sabemos como qualquer equipe brasileira encara um jogo contra o Fla. Somos diferentes e ponto final. Estamos desfalcados, e bem desfalcados, é verdade, mas que aqueles que entrem em campo se entreguem ao jogo de forma diferente dos episódios de Recife e Curitiba.

Vamos Mengão, que o alerta está ligado!

A mais baixa politicagem

por Max Amaral – de Denver, CO (ESTADOS UNIDOS)

O que dizer sobre a manobra politiqueira da Comissão Jurídica do Flamengo vetando o contrato que estamparia a marca Bozzano nas mangas do Manto Sagrado? A comissão simplesmente barrou um contrato extremamente positivo para o Clube, o maior valor em patrocínio de mangas no país.

A essa altura do campeonato, quem articulou esse manobra suicida de quarta feira já deve ter se dado conta de que o tiro saiu pela culatra e que só conseguiu atrair opiniões negativas. Até tentativas desesperadas para “justificar” a decisão irresponsável já foram abandonadas hoje.

Oras, em um contrato, sempre se pode achar um item ou outro que possa ser melhorado. É um processo sem fim e, claro, se há algo que possa ser mudado para o bem do Flamengo, que seja. Ninguém discute isso.

O problema é que a Comissão NÃO agiu pensando no Flamengo. Podem apresentar todos os argumentos possíveis, mas a decisão foi exclusivamente política: é um esforço para atingir o presidente em exercício, Delair Dumbrosck, candidatíssimo nas eleições do fim do ano, e não importa quem mais prejudica no processo.

Você pode argumentar que a fonte na qual foi escrito o contrato (Times New Roman) não respeita as tradições do clube, que sempre usou Arial, pode argumentar que o alinhamento de Marte e Júpiter sob a influência de Sagitário não era propício, pode usar qualquer argumento, mas a verdade é uma só e eu a repito: o contrato foi vetado por uma manobra política, visando as eleições do fim do ano. É a tática do “quanto pior, melhor”.

Pobre Flamengo.

O calo desconhecido

Por Paulo Lima, de Eastchester (NY), ESTADOS UNIDOS

Sim, fui um dos (poucos, não sei) que ficou extremamente dividido com a saída de Obina para o Palmeiras.

Talvez, por isso, eu ainda sinta mais do que a maioria o fato de o Anjo Negro ter iniciado em alto estilo a sua trajetória em São Paulo. Se a boa fase vai durar, não se sabe. Mas que a chuva de gols do baiano no Palestra surpreendeu muita gente, ah, disso não tenho dúvidas.

Meus questionamentos sobre o tal “momento certo” para o fim do ciclo de Obina na Gávea – momentâneo, ao menos, já que é apenas um empréstimo – aumentam ao compará-lo com nosso mais último grande reforço para o setor ofensivo.

Dênis Marques, que está se apresentando hoje, tem 28 anos. Dois anos a mais que nosso ex-xodó. Tem os mesmos oito anos de profissional que ele. E a indefectível marca de…35 gols na carreira. São menos de cinco gols por ano. O mesmo número de tentos assinalados pelo Anjo Negro nas primeiras cinco partidas pelo Palmeiras. Ou seja, nosso execrado ex-camisa 18 já fez pelo atual clube o mesmo que DM fará no Flamengo, considerando a média.

Mesmo nos mais baixos que altos momentos de Flamengo, a média de Obina ainda é superior. São 33 gols em quatro anos. São oito por temporada. É ainda maior do que faz por ano como profissional (7,6).

Muitos dirão esperar que, se Dênis repetir no Flamengo o que fez pelo Atlético-PR, estaremos bem servidos. Eu espero que não. Espero mais. Dênis fez 17 gols em 65 jogos. E, apesar de ter chegado perto (vice na Libertadores e no Brasileiro), não conquistou nenhum título.

Obina, por Obina, foi tricampeão estadual e campeão da Copa do Brasil. Ou seja, faz parte decisivamente da geração mais vencedora do Flamengo pós-Júnior (leia-se: Flamengo).

E Dênis?

Olhe para baixo e veja o seu futuro.

Olhe para baixo e veja o seu futuro.

Dizia-se que Obina ganhava cerca de 120 mil por mês. Já o rubro-negro Dênis, que afirmou não ter aceitado a proposta do Fla por amor, e sim por “excelentes condições financeiras”, chegaria à Gávea com salário na casa dos 200 mil mensais.

Obina não é o 9 dos sonhos de ninguém. Mas é o titular do Palmeiras. Não é à toa. Não tem o primor da técnica. Mas Dênis o tem?

Ante toda a análise e imaginando que DM será o reserva de Adriano (não o vejo jogando ao lado do Imperador, e mesmo que o fizesse, não barraria Emerson, pelo menos hoje), pergunto-me: terá valido a pena este investimento?

Após o texto, ainda resguardo dúvidas sobre a saída de Obina. De fato, havia desgaste, impaciência, frustração pelo jejum. Mas, fosse para ser o reserva de luxo no ataque, inclino-me a pensar que, ao invés de apostar em um reforço mensalmente caro, sem credenciais e de técnica ainda duvidosa, o melhor seria preservar o xodó em nosso elenco à espera do despertar de suas proezas.

Ao menos sabíamos onde apertava o calo em nosso pé.

O Elenco

por Max Amaral – de Denver, CO (ESTADOS UNIDOS)

O joguinho safado contra o Vitória parece que teve outro objetivo, além de nos fazer passar raiva em um sábado a noite:

Ele serviu também para nos fazer pensar em nosso limitado elenco.

Afinal, vamos para o próximo jogo – no Morumbi, contra um São Paulo em renovação – sem Airton, Kleberson e Emerson (suspensos) e, possivelmente, sem Ibson (contrato encerrado) e talvez até Toró (machucado).

Em um time que já não tem reserva para a lateral esquerda ou para o ataque (Maxi e Aleilson?! Sério?!), isso já seria um problema. Se você acrescentar a essa equação o fato de que o técnico parece meio perdido, sem saber trabalhar as pressões que recebe dos medalhões do time, dos dirigentes que só tem cabeça para as próximas eleições e da torcida com a paciência cada vez menor, o quadro é caótico.

Pense na possibilidade de Adriano estar novamente “indisposto” no próximo domingo e, aí sim, você já pode entrar em pânico.

Cuca já esboçou o que pretende fazer: entrar com Zero Berto e Fierro. Contando com a certeza de que ele sempre usa o Everton, não importa a situação de jogo ou a posição (é o nosso novo Jailton), teríamos algo como:

 

Bruno

Welinton – Fabrício – Angelim

Léo Moura – Willians – Fierro – Zero Berto – Juan

Adriano – Everton

 

No papel, pensando no que esses jogadores podem jogar – e não no futebolzinho que andam apresentando – é até um bom time. A defesa continua mais ou menos organizada e o esquema tático não muda (se bem que não acho que exista alguma força da natureza que pudesse mudá-lo).

Os problemas:

Primeiro, a atitude do time em campo, a forma como os jogadores parecem encarar cada novo compromisso – ou seja, sem compromisso.

Segundo, e não menos importante: o banco.

A menos que Cuca resolva repetir sua atitude de gênio no jogo de hoje – colocar 2 goleiros no banco (aposto que foi isso que desarticulou o time do Vitória), quem é que a gente põe lá?

Goleiro – Diego. Até aqui, tudo bem, né?

Zagueiro – não sobrou nenhum no elenco. Sério, ninguém. O único nome na lista de jogadores no próprio site do Clube é Marlon que, pelo jeito, só vai poder jogar em agosto. O melhor nome que teríamos seria improvisar o lateral Everton Silva lá atrás.

Volante – de novo, teríamos que apelar para os juniores. Lenon ou Antonio são os únicos da posição que aparecem na lista.

Meia – aí, tem gente até demais. Camacho, Pet, Erick Flores e Alex Cruz. Mas você confia em qual deles, mesmo?

Ataque: tá bom, Maxi e Aleilson, além de Mezenga e Kayke. De novo, estamos mal servidos.

 

Qual a conclusão?

Nenhuma. Tenham todos uma boa semana, tentando não pensar nisso.

(texto originalmente postado no blog da FlamengoNet)