Arquivo do mês: abril 2009

Adriano e o futuro

Por Thiago Gonçalves
de Braga (PORTUGAL)

Segundo notícia anunciada pelo Globoesporte.com, Adriano está certo na Gávea e os valores do contrato seriam parecidos com os de Ronaldo no Corinthians. Para isso, o Flamengo teria acertado com um patrocinador que seria responsável pelo pagamento de parte do salário do Adriano. Até aí, tudo bem.

O que não gosto na notícia é quando fala na duração do contrato: até a Copa do Mundo de 2010, ou seja, mais ou menos um ano. Isso significa que não há esperança de ganhar nenhum dinheiro numa negociação futura. Adriano estará a partir de Janeiro livre para assinar com qualquer clube, saindo no meio de 2010 sem que o Flamengo receba qualquer tostão. Vejo esse cenário como o mais provável porque claro que se ele voltar a praticar bom futebol, que é o que todos esperamos, não faltarão clubes europeus interessados nele e o Flamengo não teria qualquer hipótese de oferecer um salário para a sua renovação.

No meu modo de ver, o contrato deveria ser de, no mínimo, dois anos com uma cláusula de rescisão ajustada ao grande valor do jogador. Caso ele não aceitasse essa proposta, nas próximas propostas o clube deveria  sempre ter o intuito de baixar o valor da cláusula de rescisão e não a duração do contrato. Isso facilitaria a saída do Adriano no futuro para o exterior, mas garantiria algum retorno financeiro ao Flamengo.

Sendo assim, só me resta torcer para que o Adriano reencontre a alegria de jogar futebol, faça um grande Campeonato Brasileiro ajudando-nos a conquistá-lo, faça uma grande Libertadores ano que vem, desperte o interesse natural de outros clubes e, inevitavelmente, saia do Flamengo de graça. Se assim for, terá valido muito a pena o negócio.

O 9 que não marca

 

Que fase!

Que fase!

 

 

Por Leonardo Lage
De Yonkers, NY (ESTADOS UNIDOS)

Não sei mais o que pensar sobre a razão do jejum de gols do ataque rubro-negro.

Depois de mais um fiasco do setor ofensivo contra o Fortaleza, Josiel completa 6 jogos em branco; Emerson, três; e Obina, esse, ainda virgem na temporada.

O time não prioriza bolas centradas na area. As jogadas de linha de fundo (pela esquerda com Juan, porque na direita isso nao acontece há muito tempo). são telegrafadas. Está certo, o Flamengo é um time de toque de bola, essa é a tradição da Gávea. Mas me dá nos nervos a auto-confiança exagerada de Seu Ibson, Juan, Léo Moura, e agora entrando na onda o Seu Williams.

Deixe-me fazer entender melhor. Hoje em dia, manutenção da posse de bola, além de fazer o time não tomar gol, é util para achar e criar o melhor espaço.

Lateral recebe do volante, dá dois ou três toques na bola e volta para o volante, que por sua vez volta para o zagueiro ,que vira para o outro que retorna pro volante, e por aí vai.

Papo de louco? Nao. Parece chato, eu sei, mas essa ciranda é necessária para preservar a posse de bola, soltá-la a bola só na boa.

Devido à experiência da equipe, reparo que o Flamengo força muito as jogadas curtas e pelo meio, Ibson as faz com Léo, que volta curto para Ibson, já marcado, que força mais uma vez com Leo, que nao vai para a linha de fundo – ele fecha em diagonal para a esquerda.

Eu me pergunto: por que um destro fecha para a canhota se nao chuta com a perna esquerda?

Se as laterais são o desafogo do meio-campo, o caminho mais seguro ao ataque, por que então afunilar e dar tempo de a zaga adversária se armar. Zaga armada é sinônimo de atacante marcado.

Kleberson faz um-dois com Ibson e sempre aparece para o jogo, tempos em tempos vai a esquerda cruzar a bola. Mas se Kleberson vai cruzar bola, o que Juan vai fazer? Guardar posição?

Nesse caso, Juan é que deve cruzar, enquanto Kleberson, volante dono de bom chute, esperaria fora da area o rebote.

Nosso Mengão está previsivel e embolado.

De nada vale ter qualidade técnica e nao aliá-la à objetividade.

A bola nao chega para o ataque, e sempre que chega pega a zaga armada.

O time nao joga para o camisa 9.

Isso não significa que o Flamengo joga errado, joga diferente.

Não é fácil ser o 9 da Gávea.

 

Flamengo x Fortaleza: Transmissão

O jogo entre Flamengo x Fortaleza será transmitido ao vivo, com início de transmissão às 21:50 (Horário de Brasília), pela Globo Internacional. Para saber se a Globo Internacional transmite para o seu país, consulte a lista de países aqui.

Para quem não tem acesso à Globo Internacional e quer ver o jogo através da Internet, a partida será transmitida nos seguintes canais online:

Calendário

por Max Amaral
De Denver, CO (ESTADOS UNIDOS)

Somos acostumados ao calendário brasileiro de jogos: Temos os campeonatos estaduais, a Copa do Brasil, a Libertadores (ou a Sul Americana) e o Brasileirão. 4 diferentes torneios que os times disputam durante o ano. E se seu time foi absurdamente bem, ainda pode disputar o Mundial, né?!

Na Europa, não é tão diferente assim – apesar da temporada começar e acabar em datas diferentes. Eles têm os campeonatos nacionais, campeonatos parecidos com a nossa Copa do Brasil (Copa do Rei, na Espanha, Copa da Inglaterra, Copa de Portugal…) e os grandes torneios continentais – a Copa da UEFA e a Liga dos Campeões da UEFA.

Então, eu sempre me surpreendo sobre como é difícil explicar isso (diferentes campeonatos dentro de uma única temporada) para um Americano médio, acostumado às temporadas fixas, únicas e não-concorrentes de basquete, beisebol e futebol americano. Ontem perdi algumas boas horas (regadas à uma excelente cerveja fabricada aqui na região, então não foi uma perda real) explicando a um amigo que o Flamengo vai entrar em campo hoje contra um time de outra região do país na briga por um campeonato mas que, no domingo, disputa o título de uma 2a competição. E que nós, torcedores, embora acompanhando o time com fervor e atenção, preferiríamos mesmo é que o time vencesse um 3o campeonato que começa agora em maio e vai até dezembro – um campeonato que oferece como um dos prêmios uma vaga para disputar um 4o.

Eu parei por aqui. Nem tentei explicar que vencer esse 4o campeonato nos leva a um 5o, que antigamente se disputava em Tóquio e que agora é em Dubai, e que foi lá o grande momento do meu time na história, em 1981. É demais para a cabeça deles, e meu amigo já me olhava com aquela cara de Americano quando a gente tenta explicar o que é “reconhecer firma em Cartório”. Aliás, é a mesma cara que eles fazem quando a gente tenta explicar o que é “Cartório”.

Mas as vezes acho que é demais para a nossa cabeça, também. Somos levados pela paixão, pelo interesse de momento, e nos vemos incapazes de colocar uma ordem de prioridade nesses campeonatos todos que, em certos momentos, têm jogos praticamente ao mesmo tempo.

Alguém aí colocaria o time com força máxima contra o Fortaleza hoje, para garantir uma vaga na próxima fase da Copa do Brasil, podendo com isso estar dando adeus ao Penta-Tri? Seria o lógico, mas não conseguimos ser frios a esse ponto.

Vamos tentar a sorte contra o Fortaleza, na teoria um time mais fraco e contra quem teremos outro jogo se as coisas não derem certo, garantindo nosso melhor time para o jogo contra o Botafogo no domingo.

No fundo, no fundo, eu quero mesmo é que o Cuca consiga realizar o que ele meio que prometeu no começo do ano: vencer todos os 4 títulos que disputar pelo Flamengo em 2009.


Athirson e a não-volta à Gávea

Por Paulo Lima
De Eastchester, NY (ESTADOS UNIDOS)

Podem falar o que quiser.

Mas queria, queria mesmo, que o Athirson voltasse ao Flamengo.

Há muitos que vejo por aí com o sonho de regressar à Gávea e que pessoalmente desejo distância.

Mas o lateral-esquerdo me proporciona muito mais lembranças boas do que ruins.

Eu até acreditava que sua carreira chegara ao fim depois de ser demitido por deficiência técnica do Brasiliense, clube defendido por ele depois de poucos jogos pífios pelo Botafogo.

Agora, depois de ótima passagem pela Portuguesa, onde se reencontrou para o futebol, Athirson assina com o Cruzeiro. Para os céticos que duvidam de sua capacidade e que rejeitariam seu retorno, bastarão dois ou três bons jogos no Brasileiro pela Raposa para a sensação de remorso vir à tona.

Depois de ter dito que não renovaria com a Portuguesa deixando no ar que esperava proposta para se transferir para o Flamengo, fiquei de fato esperançoso com uma negociação. A entrevista coincidiu com o péssimo rendimento do Egídio ao substituir Juan em algumas partidas, e com o que o futuro sombrio da posição nos reservaria sem o herói da Copa do Brasil-2006.

Mas o deixamos escapar, para a tristeza de uns e para a alegria de muitos outros.

O tempo nos tratará de responder essa.

Flamengo = Futebol?

Por Felippe Gonçalves
de Covilhã (PORTUGAL)

Gostaria de ver o Flamengo mais organizado em todos os departamentos. Começando no Futebol é claro, já que é sem dúvida o esporte que sustenta o clube, mas penso que não podemos esquecer de outros esportes como a Natação, que já viveu dias melhores no clube, assim como o Judô, Remo, Vôlei, Basquete…

Cada vez mais sinto que a direção “esquece” completamente que o Flamengo é mais do que simplesmente o Futebol.

Recentemente os casos mais mediáticos foram o do Basquete e o da Ginástica.

Em relação à Ginástica, penso que foi o caso mais triste e que mais revolta me fez sentir. Jade Barbosa, Diego Hypolito e Daniele Hypolito, atletas que foram campeões do mundo, sul americano, entre tantos outros títulos internacionais que conseguiram pelo clube viveram dias de emoções fortes, depois de tantos anos servindo o clube com grande sucesso. O fim da ginástica no Flamengo estava se tornando uma realidade.

A minha tristeza, é de saber como profissionais tão identificados com o clube, e que recebem tão pouco comparado com o mundo futebolístico, podem ser tratados desta forma.

Daniele chegou ao Flamengo em 1994, com apenas 10 anos de idade. Será que não merecia mais respeito do que um simples “acabou o dinheiro” do presidente Márcio Braga?

Cada vez mais parece que a direção só tem olhos para o futebol. Tudo bem, é a grande fonte de rendimento, mas porque não se preocupar um pouco mais com os outros esportes? É preciso cortar despesas? Certamente que existem muitos podres no departamento de futebol onde fazer cortes, em vez de sacrificar atletas sérios e que merecem o mínimo de respeito.

Voltando ao caso da Ginástica, parece que a situação ficou resolvida, precisando de ser a Prefeitura de Niteroi patrocinar a equipe. Sim, isso foi mesmo preciso, já que as despesas são altíssimas e insuportáveis para um clube como o Flamengo… R$80 mil por mês para todo o departamento

Recentemente foi o Basquete que passou por situação parecida, mas mesmo assim com grande profissionalismo conseguiu o título da Liga Sul Americana e neste momento está com uma campanha fantástica no campeonato nacional, com aproveitamento superior a 90% quando estão jogados mais de 20 jogos. Felizmente recentemente foi fechada a parceria com a Cia do Terno, que estampará as camisas da equipe.

Fico triste de saber a forma como os esportes “secundários” do clube precisam trabalhar para conseguir títulos, e mesmo assim conseguem. Com estes recentes problemas de patrocínios da Ginástica e do Basquete, parece que infelizmente ficou claro qual é o pensamento da atual direção.

Espero por dias melhores, e por um Flamengo que seja mais do que Futebol.

‘Mundo’ está no Twitter

 

É nóis!

É nóis!

 

 

Caros amigos,

O Mundo Flamengo agora está no Twitter!

Siga o blog e os pequenos comentários da casa rubro-negra no exterior!

www.twitter.com/mundoflamengo 

Glória ou Frustração?

por Max Amaral
De Denver, CO (ESTADOS UNIDOS)

21 de junho de 2002.

Quase 7 anos atrás, vocês não vão se lembrar, o País inteiro estava passando madrugadas insones, acompanhando a Copa do Mundo do Japão e Coréia.

Para os jornais brasileiros, essa Copa era um pesadelo logístico. Com jogos que começavam às 03:00 da manhã, não havia como mandar para as ruas edições que contassem o que aconteceu antes do sol nascer. Assim, cada torcedor vivia aquela situação de acordar para ver os jogos – ou nem ir dormir, dependia da disposição de cada um – lutava contra o sono durante, dava uma cochiladinha depois e só então se começava o dia normalmente. Só que os jornais, no que se referisse à Copa do Mundo, eram sempre “velhos”, desatualizados.

Mas havia o jogo contra a Inglaterra.
“O” jogo.
Algo tinha que ser feito.

O Brasil havia chegado desacreditado ao outro lado do mundo. Romário não foi convocado, Roque Júnior não havia sido apresentado formalmente à bola, Rivaldo não jogava com a amarelinha o que jogava no Barcelona, Ronaldo era uma incógnita depois da (primeira) grave contusão, ninguém sabia o que esperar de Ronaldinho Gaúcho – e isso tudo só para ficarmos na letra R.
Mas começamos razoavelmente bem, vencemos Turquia, China e Costa Rica na primeira fase e a Bélgica nas oitavas. Nenhum adversário que metesse medo ou que testasse realmente a força do time, mas ‘tava bom.
Só que agora aparecia o grande vilão, o monstro que tirava nosso sono: A Inglaterra de Beckham em sua melhor fase, o melhor time que a terra da Rainha mandava para uma Copa do Mundo desde sempre. Havia passado pelo “Grupo da Morte” contra Argentina, Nigéria e Suécia e, depois, derrotara a forte Dinamarca por inquestionáveis 3×0 nas oitavas. Vinha embalada para pegar a gente.

É verdade, estávamos com medo.

Voltando aos jornais, quem reinventou a roda foi o Correio Braziliense, de Brasília. Justamente a edição que iria às ruas algumas horas depois de iniciado o jogo contra a Inglaterra trouxe uma idéia que foi das coisas mais sensacionais que já vi em um jornal: em uma capa que ganharia prêmios pelo mundo inteiro depois, eles publicaram dois cabeçários, um para o caso de derrota, outro para o caso de vitória, com belíssimos textos de seus colaboradores. Afinal, qualquer jornal chega à sua casa (ou fica na banca) dobrado. Era só você escolher o lado que melhor combinasse com os fatos reais.

A capa

E, para a surpresa de muitos, o fim da história foi melhor do que a encomenda (para a gente): o Brasil jogou sua melhor partida em muito, muito tempo, vencemos por 2 x 1 e começamos a arrancada que precisávamos para o Penta.

E eu só contei essa história toda aqui porque estou escrevendo antes do jogo contra o Botafogo e não sei qual pode ser o resultado – afinal, futebol é uma caixinha de surpresas. Espero que o Flamengo faça sua melhor partida em muito, muito tempo, vençamos por qualquer placar e que esse jogo seja a arrancada que precisamos para o Penta-Tri.

Eu só não consigo é ter medo do Botafogo.

(e se vc quiser ver a capa real, em tamanho maior, clique aqui e leia os textos. Também foram sensacionais).

Flamengo x Botafogo: Transmissão

O primeiro jogo do Campeonato Carioca será transmitida ao vivo, com início de transmissão às 15:30 (Horário de Brasília), pelo PFC Internacional para os seguintes países:

  • Estados Unidos
  • Portugal
  • França
  • Nigéria
  • Angola
  • Moçambique
  • Trinidad & Tobago
  • Uruguai
  • Chile

Se algum amigo Rubro-Negro souber de outro país que terá transmissão por outro canal senão o PFC Internacional, por favor contate-nos para que possamos atualizar a lista.

Maracanã: O que fazer?

Por Thiago Gonçalves
de Braga (PORTUGAL)

A essa altura todos já devem estar sabendo do edital que saiu essa semana sobre a concessão do Maracanã. Me desculpem as palavras, mas uma verdadeira palhaçada. Impossibilitar o maior clube do país, o clube que detém seis dos dez maiores públicos do estádio (sendo que os outro quatro jogos foram da Seleção Brasileira), o clube que sempre foi o responsável por garantir dinheiro para o estádio, de entrar na disputa é surreal.

Mas está feito. E agora o Flamengo tem que seguir o seu caminho e decidir o que fazer daqui para a frente, e não me refiro a curto prazo enquanto o Marcanão estiver fechado para obras, mas sim a longo prazo. Algumas opções surgirão e a decisão por mais difícil que seja deverá ser tomada.

Acho que as opções mais óbvias serão:

A) Construção de um estádio próprio;
B) Acordo com algum clube pra jogar em seu estádio pagando taxas;
C) Acordo com a empresa que administrar o Maracanã para jogar lá pagando taxas.

A construção de um estádio próprio julgo ser impossível. Por vários motivos, desde a situação financeira até a burocracia de associação de moradores (isso é tão ridículo que até custa a acreditar), mas o principal deles é que o Estado não deixaria o Flamengo criar um estádio. Não adianta. O dia em que o Flamengo tiver o seu próprio estádio, quem banca o Maracanã? E eles sabem disso e por isso o edital saiu assim. Isso é política, é negócio.

Por isso, acho que resta ao Flamengo continuar jogando em estádio alugado, seja ele estadual ou particular. Parece-me óbvio que quem for administrar o Maracanã vai ter que investir uma bela grana e depois vai ter que ganhar esse dinheiro às custas de alguém. De quem eles estão à espera pra bancar isso? Ganha um doce quem respondeu Flamengo. Claro!!!

E aí é que tem que entrar a diretoria do Flamengo. Rompe totalmente com o Maracanã. Rompe já. Anuncia em conferência de imprensa que oficialmente está declarado que o Flamengo não jogará mais seus jogos no Maracanã enquanto não houver uma solução que nos satisfaça. Faz o sacrifício e paga taxas mais caras ao Botafogo se for preciso pra mandar seus jogos no Engenhão ou faz um acordo com a Portuguesa da Ilha, ou Bonsucesso, ou São Cristóvão, ou América, ou Tigres ou qualquer um, mas sai do Maracanã. Deixa o gigante pra eles cuidarem, pra eles bancarem. Quero ver quantas empresas vão se disponibilizar pra alugar um estádio daqueles se não tiver o seu trem pagador. E se houver alguma empresa que menospreze a importância do Flamengo para manutenção do estádio, eu quero ver como que eles vão rentabilizar o investimento.

O Flamengo tem que mostrar para essas pessoas que estádios há muitos, mas Flamengo só há um. E se o Flamengo precisa do Maracanã, o Maracanã precisa muito mais do Flamengo.

Só um comentário rápido:

por Max Amaral
De Denver, CO (ESTADOS UNIDOS)

Por mais que o Penta-Tri seja um belo objetivo, acho que a Copa do Brasil é um campeonato mais importante que o Carioca.
Por isso, esse jogo de domingo tem que ser encarado com muita seriedade. Não só temos que ganhar, como temos que ganhar por um placar elástico – o que é complicado, considerando o histórico recente de nosso ataque – para que o time fique tranquilo e possa entrar com força máxima contra o Fortaleza na quarta feira.

Jogar em Volta Redonda com um time misto – para poupar jogadores para o segundo jogo contra o Bota – seria uma temeridade.

Carta aberta a Adriano

Por Paulo Lima

De Eastchester (NY), Estados Unidos

 

"Entre e resolva!"

"Entre e resolva!"

 

Meu caro Imperador,

Como amante da bola, fico muito feliz com a notícia do rompimento com a Internazionale. Torço muito pelo seu sucesso e que volte a jogar futebol logo, para a alegria de todos aqueles que gostam do esporte praticado em alto nível.

Como rubro-negro, meu caro, fico feliz mas ao mesmo tempo preocupado com uma decisão de aceitar um possível convite para retornar à Gávea.

Por mais que muitos comparem, seu caso é diferente de Ronaldo. Muitos acharam que a questão era puro marketing, mas já se vê certo sucesso também em campo do cara no Corinthians. Tem feito gols, movimenta-se bem, puxa a marcação dos adversários. Driblou o passado recente de episódios lamentáveis extra-campo e, o mais difícil, voltou a atuar em um nível que já é acima da média do futebol brasileiro, após mais de um ano no estaleiro. Contundir-se ou não, agora irá me parecer obra do imponderável. Como poderá ocorrer com qualquer jogador.

Agora, Adriano, a sua questão me parece mais complexa. Você é mais novo e com muito menos histórico em departamento médico do que o Ronaldo. Mas, diferentemente dele, que experimentou o pior do que se podia em termos de exposição negativa de imagem, você parece estar mergulhado em uma crise existencial. Nada que seja intratável. Mas quando o problema é na cabeça, tudo é mais sério.

No Rio, no Flamengo, badalação, falta de privacidade, assédio, encheção de saco de paparazzi do EGO e de outros jornalistas esportivos que mais parecem repórteres da Contigo não vão acabar. Vão piorar. E se é esse o seu grande dilema – o preço da fama – sugiro que rume para o Oriente Médio. Vai ganhar dinheiro, ter uma ótima qualidade de vida e, muita, mas muita privacidade. No Rio, na Gávea, na praia, na Vila Cruzeiro, na praça de alimentação do shopping, na boate com a Mulher-Fruta. Vai ser perseguido por olhos, lentes, celulares e câmeras por todo lado. Prepare-se.

Mude de nome, faça o cabelo diferente, case-se, escreva um livro, faça ioga, terapia ou se converta. Tudo isso é válido para superar o desafio de reencontrar como pessoa, como cidadão e como profissional. Será apenas, assim, plenamente, sem receios, com objetivos, que você será o Adriano que a torcida rubro-negra espera.

De minha parte, gostaria mesmo de vê-lo inteiro. Se aceitar atuar novamente no Mais Querido, que esqueça o mundo lá fora. Vá treinar como se estivesse nos primeiros dias de 2000, quando subiu para os profissionais em busca de espaço. Seja o novo líder do time. Vista a camisa como se fosse encerrar a carreira aqui. Entre para fazer parte da nossa história (que hoje apenas registra aquele garoto alto e desengonçado que há dez anos surgiu tão rápido quanto saiu), uma história que quer ser recontada, que quer ser impulsionada rumo a glórias maiores; nacionais, continentais e mundiais. O Flamengo precisa ressurgir tal como você.

Saudações rubro-negras, dê logo notícias. Faça a vovó feliz.

Paulo Lima, de Nova York

PS: Se puder mudar também de agente, até não seria uma má ideia…

Morfina para o povo

por Leonardo Lage
De Yonkers (NY), ESTADOS UNIDOS

Felizes e confiantes estamos todos, o espirito vitorioso nos abençoa.

Porém, devemos estar preparados para uma guerra em 180 minutos.

O nosso valente rival pipocou, não sei, acho que sentiu o peso da final em um Maracanã lotado.

Nos próximos domingos a festa continua. Ocupando os espaços e anulando as estrelas rivais, esse titulo será nosso.

Mas me pergunto: seria o penta-tri a morfina que ameniza a dor de uma nação carente de títulos no campeonato brasileiro?

Não me iludo mais com campeonatos estaduais. Podemos tomar um saco histórico no domingo e com isso renascer e fazer um Brasileiro campeão, ou vencer o Carioca e nas quartas-feiras seguintes ser eliminados de uma competição mais importante, como foi a Libertadores nos últimos dois anos e como poderia ser neste com a Copa do Brasil.

Não sei o quanto nos atrapalha essa (luta pela) hegemonia estadual.

Mas nada disso importa. Não sou antropólogo ou outro estudioso do comportamento humano, sou só um torcedor.

Feliz como pinto no lixo, morando a dois continentes de distância do Brasil, que não pode suportar a ideia do seu time perder, que grita e fala sozinho em dia de jogo, que chora e sorri com derrotas e vitórias, que se orgulha de ser RUBRO-NEGRO, que se orgulha de ser RUBRO-NEGRO,

Vamos pra cima deles, Mengão!

Domingo eles não vão correr, eles não vão respirar, eles não vão sorrir, eles não vão jogar, porque nós não vamos deixar!!!!!!

Domingo todos seremos uma só voz, com um só coração batendo sangue vermelho e preto.

Se minha mãe aparecer de preto e branco no domingo, dou um carrinho nela.

Vamos ser felizes de novo.

Morfina para o povo.

Que torcida é essa??!?

 

por Max Amaral
De Denver, CO (ESTADOS UNIDOS)

Um dos fatos que mais me chamou a atenção antes do jogo contra o Botafogo, domingo passado, foi o grande esforço feito pelo time de General Severiano para tentar fazer com que sua torcida comparecesse em peso ao Maracanã. Claro que foram engolidos pela massa rubro-negra (inocência deles pensar que seria diferente) mas as imagens do estádio lotado e o belo espetáculo das torcidas me fez pensar nas diferenças entre os esportes no Brasil e nos States.

Claro que podemos falar na maneira como as coisas por aqui são administradas – e as entrevistas do Leonardo semana passada pregando uma nova estrutura para o futebol no país são um bom gancho para nos obrigar a olhar para isso com mais carinho no futuro.

Mas a diferença mais gritante, para mim, é a estranha maneira com que o povo da terra do Tio Sam se relaciona com seus times. Acho que nunca vou me acostumar com as torcidas daqui.

Assistir a um jogo de basquete (ou beisebol, ou futebol americano) é uma experiência impressionante: os estádios mais parecem Shopping Centers, com seus pisos em granito e espelhos nas paredes. A qualidade do som, as atividades em quadra/campo durante os intervalos e pedidos de tempo, os banheiros limpos e arrumados, as lojas dos times enormes e bem abastecidas, os grande número de funcionários à disposição do público para qualquer coisa, o nível dos jogadores e das jogadas. Mas a torcida…

A torcida não tem paixão. O sistema de alto falantes do estádio diz o que o torcedor tem que fazer durante o jogo (e, incrivelmente, o povão obedece), as pessoas se estressam mais com a fila para comprar cerveja que com um mau desempenho do time. Assistir a um jogo é apenas uma atividade de lazer que você agendou e se seu time ganhou ou perdeu, isso não tem verdadeiramente tanta importância assim. OK, é apenas a minha impressão depois de um ano aqui, e posso ter estado nos lugares errados nas horas erradas, mas nunca vi nada parecido com a energia que você experimenta nas arquibancadas do Maracanã ou na frente da TV vendo uma partida de futebol brasileiro, o foco de milhares de pessoas dirigido exclusivamente para o campo, a camisa do seu time sendo algo mais que um adereço de cores berrantes.

Para mim, o maior exemplo de como as coisas são diferentes é a final do Super Bowl (a decisão do campeonato de futebol americano), o grande evento esportivo do ano por aqui. Fui convidado a assistir ao jogo na casa de uma típica família americana e não consegui esconder meu estranhamento.

Chega gente de todo lado. Lá pelas tantas, eu contei pelo menos 60 pessoas dentro de casa. Dessas, menos da metade assistia ao jogo propriamente dito, e prestavam mais atenção aos comerciais nos intervalos que tudo. O resto se concentrava nas quantidades industriais de comida, em conversas sobre todo tipo de assunto (não relacionado com o jogo) e em tentar evitar que a criançada destruisse a casa. Eu estava usando a camisa do Flamengo no dia e ela (e as histórias que contei sobre o Fuderosão) atraiu mais atenção que as jogadas dos times na TV.

Quais são os times em campo? Isso não tem nenhuma importância. Esse ano eram o Pittsburgh Steelers contra o Arizona Cardinals, e o jogo foi na Flórida.

Dá para imaginar isso no Brasil? A final do Campeonato Brasileiro entre o Internacional de Porto Alegre e o Cruzeiro de Belo Horizonte em um jogo em Fortaleza, e a transmissão de TV para todo o país vai ser o evento mais assistido do ano, com os espaços publicitários mais disputados? Você vai juntar sua família e seus amigos em sua casa, fazendo um grande churrasco para assistir a um jogo que não tem o Flamengo em campo?

Não, definitivamente não entra na minha cabeça. E esse é um dos motivos que fazem uma ida ao Maracanã em dia de jogo do Flamengo um dos melhores presentes que você pode dar a um turista, gringo ou não.

Então, já que nem eu nem a Carmem Miranda ficamos (ainda) americanizados, continuo focado no Mengão, preocupado se o Cuca vai colocar o Emerson e o Obina em campo, se vai barrar o Zé Roberto, se o meu velho Manto da sorte vai estar lavadinho e cheiroso para ser usado na hora do jogo.

Eu sei a qual torcida pertenço.


Pé-de-pato bangalô três vezes

Por Paulo Lima
De Eastchester, NY (ESTADOS UNIDOS)

Quarta opção de ataque, atrás de Emerson, Josiel e Maxi, Obina passa a ser encarado como arma secreta de Cuca para as finais contra o Botafogo.

Só posso entender que a iniciativa tem apenas uma motivação: o técnico confia na estrela do baiano para que receba a luz que lhe faltou nos ultimo dois Estaduais, quando, à frente de nosso rival de domingo, tinha um time mais qualificado e viu escapar a chance de conquistar um título de expressão.

Deve achar que a mandinga soteropolitana, a luz de Iemanjá e o poder dos orixás de nosso “artilheiro” quebrarão o seu karma de pé-frio – com aquele gol chorado, de canela, aos 45 minutos do segundo tempo da última partida.

Duas redenções, dois personagens.

Que assim seja.